A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) deu início à campanha Todos contra o VSR – Proteção desde o Início, uma iniciativa estratégica voltada para ampliar a conscientização sobre o vírus sincicial respiratório. O projeto busca informar gestantes e a população em geral sobre a relevância da imunização, além de capacitar profissionais de saúde para o manejo clínico da condição, que é a principal causa de bronquiolite em bebês.
O impacto do VSR na saúde pública é significativo. Segundo dados da entidade, o patógeno é responsável por 80% dos casos de bronquiolite e até 60% das pneumonias em crianças menores de dois anos. O Ministério da Saúde registrou, neste ano, 21.398 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados ao vírus, resultando em 246 óbitos, com a maior incidência concentrada justamente na faixa etária de até dois anos.
Estratégias de prevenção e imunização contra o VSR
A proteção dos recém-nascidos nos primeiros meses de vida é o foco central da campanha. A diretora da SBIm, Isabella Ballalai, destaca que a imunização é essencial para resguardar os bebês durante o período de maior vulnerabilidade. Atualmente, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza a vacina para gestantes a partir da 28ª semana de gestação, permitindo a transferência de anticorpos para o feto.
Para os bebês, a estratégia utiliza anticorpos monoclonais. O protocolo atual contempla prematuros nascidos com menos de 37 semanas gestacionais até os 6 meses de idade, além de crianças menores de dois anos que apresentam comorbidades específicas. A SBIm defende a ampliação dessas recomendações, sugerindo a inclusão de prematuros no primeiro ano de vida e crianças menores de dois anos sem comorbidades, sempre sob orientação pediátrica.
Conscientização por meio de relatos reais
Para tornar a gravidade da doença mais tangível, a campanha aposta em vídeos testemunhais. Médicos renomados, como o doutor Dráuzio Varella, e pais que enfrentaram as complicações do VSR em seus filhos compartilham experiências pessoais. O objetivo é transformar dados estatísticos em vivências que despertem empatia e reforcem a percepção de risco entre as famílias.
A iniciativa conta com uma estrutura multicanal, incluindo videoaulas para especialistas, um hotsite dedicado e uma presença ativa em redes sociais como Instagram, Youtube, TikTok e Facebook. A comunicação direta com o público também é realizada por meio de ferramentas como e-mail e WhatsApp, garantindo que as informações cheguem de forma ágil aos responsáveis.
Mobilização institucional e apoio técnico
A campanha possui um amplo respaldo de instituições nacionais e internacionais. Entre os apoiadores estão a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Federação das Associações Brasileiras de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a ONG Prematuridade.com.
A necessidade de intervenção precoce é evidenciada pelo fato de que mais da metade das internações ocorre nos dois primeiros meses de vida. Esse índice atinge dois terços quando o recorte é ampliado para o primeiro trimestre. A adesão ao calendário de vacinação, conforme as diretrizes do PNI e da SBIm, permanece como a ferramenta mais eficaz para reduzir a mortalidade e o impacto hospitalar causado pelo vírus.