Entre janeiro e junho de 2026, uma série de inspeções técnicas realizadas em Mato Grosso revelou um cenário preocupante: foram identificados 19,6 gigawatt-hora (GWh) de energia consumida sem o devido registro nos sistemas de medição. Esse volume expressivo de desvio seria suficiente para suprir a demanda média de aproximadamente 90 mil residências durante um período de 30 dias, conforme estimativas baseadas no perfil de consumo da região Centro-Oeste.
Metodologia de combate às perdas elétricas
O levantamento é fruto de um trabalho técnico contínuo realizado pela concessionária Energisa Mato Grosso. Sempre que uma irregularidade é detectada, as equipes especializadas realizam o cálculo da energia consumida e não registrada, levando em conta o tempo estimado de funcionamento da ligação clandestina ou a natureza da adulteração no medidor.
A apuração técnica é rigorosa e considera critérios como a carga instalada no imóvel, o histórico de consumo da unidade e o período provável de duração da fraude. Essa análise detalhada permite dimensionar as perdas reais e calcular os valores correspondentes à energia utilizada que deixou de ser faturada pela distribuidora.
Riscos operacionais e segurança da rede
Além do impacto financeiro, as intervenções irregulares representam um risco severo para a segurança pública. Ligações feitas sem critérios técnicos ou equipamentos adequados podem provocar choques elétricos, curtos-circuitos e incêndios, colocando em perigo tanto os responsáveis pela fraude quanto os moradores do entorno e os profissionais que operam a rede elétrica.
Segundo Maria Luisa Xavier, supervisora de Combate a Perdas da Energisa Mato Grosso, a atuação da empresa vai além da correção da medição. O objetivo é restabelecer a segurança da instalação e a confiabilidade do sistema elétrico, mitigando os riscos de interrupções no fornecimento que frequentemente atingem toda a vizinhança.
Consequências criminais e operações policiais
O furto de energia é tipificado como crime pelo artigo 155 do Código Penal, com pena prevista de até seis anos de reclusão. Além da sanção penal, o infrator é obrigado a arcar com os custos do consumo não faturado, o que pode gerar um passivo financeiro considerável para o responsável pela irregularidade.
O combate a essas práticas tem sido intensificado através da Operação Energia Limpa. Entre janeiro e agosto de 2026, a força-tarefa, que une a concessionária e as forças de segurança estaduais, resultou em 180 prisões em todo o território mato-grossense. As autoridades reforçam que a colaboração da população é fundamental para identificar situações de risco, sendo possível realizar denúncias anônimas pelos canais oficiais da Energisa ou pelos telefones 190, 181 e 197.