Após fugir do Brasil para os Estados Unidos, o candidato derrotado na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), divulgou uma carta em que agradece aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio recebido para deixar o território brasileiro. O documento marca um novo desdobramento nas investigações que envolvem o senador após o pleito nacional.
Em uma primeira versão do comunicado, distribuído pela assessoria de imprensa, o parlamentar se declarava como o verdadeiro presidente eleito do país. Cerca de meia hora depois da publicação inicial, o termo foi modificado para líder do Brasil, gerando ampla repercussão nos meios políticos e jurídicos nacionais.
Repercussão da carta e contestação das urnas
No texto divulgado, o candidato derrotado afirma, sem apresentar provas, que a eleição brasileira sofreu fraudes. Ele também direciona críticas à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin, que atendeu a um pedido conjunto das campanhas do PL e do PT para estender o horário de votação até as 19h.
As declarações do senador entram em conflito direto com os dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral e com o reconhecimento internacional do pleito. Líderes de diversos continentes e a Organização dos Estados Americanos atestaram a lisura do processo que resultou na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Investigações e restrições judiciais no Supremo
A saída do país ocorreu em meio a restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes havia determinado a entrega dos passaportes pessoal e diplomático do senador, além de proibi-lo de deixar o território nacional a pedido da Polícia Federal, que apontou riscos de evasão diante de inquéritos em curso.
Flávio é alvo de apurações que tramitam na Suprema Corte por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas esportivas e o financiamento de produções cinematográficas. Mesmo à distância, o parlamentar afirmou que pretende liderar a oposição a partir do exterior.
Reações internacionais e críticas nos Estados Unidos
A concessão de visto ao político brasileiro gerou reações no cenário político norte-americano. Na manhã de hoje, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Estados Unidos, ligado ao Partido Democrata, criticou publicamente a postura do governo de Donald Trump em relação ao caso.
Em publicações nas redes sociais, parlamentares estadunidenses questionaram os critérios adotados pela administração atual para a liberação de documentos migratórios, contrastando o tratamento dado à família Bolsonaro com o rigor aplicado a pessoas que fogem de conflitos armados internacionais.