A Justiça de Mato Grosso converteu em preventiva a prisão de Ricardo de Souza Pessoa, de 62 anos, investigador aposentado da Polícia Civil. A decisão, proferida nesta terça-feira (29) pelo juiz Antonio Carlos Pereira de Sousa Junior, da 2ª Vara Criminal de Cáceres, mantém o suspeito detido pela morte de sua ex-mulher, Noeli Simsen, de 50 anos.
O crime ocorreu na segunda-feira (28), em um hotel localizado no bairro Cidade Nova, em Cáceres, a 220 km de Cuiabá. A vítima foi encontrada sem vida com ferimentos por disparos de arma de fogo na região do tórax. O caso é tratado pelas autoridades como feminicídio, uma vez que o casal estava separado há cerca de cinco meses e, segundo investigações, o suspeito não aceitava o término do relacionamento.
Dinâmica do crime e investigação policial
Relatos de testemunhas e funcionários do hotel indicam que Ricardo de Souza Pessoa acessou o quarto da vítima através de uma janela. Logo após a entrada do suspeito, foram ouvidos cerca de quatro disparos. O Corpo de Bombeiros foi acionado para prestar socorro, mas ao chegar ao local, constatou que Noeli Simsen já não apresentava sinais vitais.
Após o ocorrido, o suspeito deixou o hotel e apresentou-se voluntariamente em uma delegacia da cidade, onde foi detido. Durante diligências realizadas na residência do ex-policial, as autoridades apreenderam quatro armas de fogo e diversas munições, que foram encaminhadas para perícia técnica como parte do inquérito policial conduzido pelo delegado Higo Rafael.
Contexto de violência doméstica em Mato Grosso
O feminicídio de Noeli Simsen reacende o debate sobre os mecanismos de proteção às mulheres no estado. O governo de Mato Grosso disponibiliza o aplicativo ‘SOS Mulher MT’, que oferece um botão de pânico virtual para vítimas sob medida protetiva. A ferramenta está disponível para residentes de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis, oferecendo suporte imediato em situações de risco.
A Lei Maria da Penha, vigente desde 2006, define a violência doméstica como qualquer ação baseada no gênero que resulte em morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico. Para buscar auxílio, mulheres em situação de vulnerabilidade podem recorrer a delegacias, ao Ministério Público ou à Defensoria Pública, sem a necessidade de estarem acompanhadas por um advogado para solicitar medidas protetivas.
Para mais informações sobre como denunciar casos de violência contra a mulher, consulte o portal oficial do Ministério dos Direitos Humanos.