A Polícia Civil de Mato Grosso iniciou uma investigação para apurar denúncias de manifestações racistas e misóginas envolvendo estudantes do curso de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Os episódios, que ganharam repercussão após circularem em grupos de WhatsApp, teriam ocorrido entre os dias 3 e 4 de outubro, gerando uma onda de indignação na comunidade acadêmica.
Investigação policial e medidas administrativas
As denúncias foram formalizadas por meio do portal Fala.BR, plataforma oficial do governo federal para o registro de irregularidades. Em resposta à gravidade dos relatos, a UFMT confirmou que a Ouvidoria da instituição encaminhou o caso para a unidade competente na segunda-feira (5). A universidade ressaltou, em nota oficial, que já adota as providências administrativas cabíveis para apurar a conduta dos envolvidos.
A instituição reforçou seu compromisso com a manutenção de um ambiente universitário livre de qualquer forma de discriminação ou violência. Devido ao sigilo do procedimento interno, a UFMT não divulgou os nomes dos estudantes citados ou detalhes específicos sobre o número de envolvidos, garantindo, contudo, que o processo seguirá as normas de contraditório e ampla defesa.
Cronologia dos ataques em grupos acadêmicos
De acordo com relatos de integrantes do Centro Acadêmico de Ciências Econômicas, as ofensas começaram no grupo “Informes Economia”. Um estudante teria compartilhado uma figurinha de caráter racista e foi prontamente removido pelos administradores. Logo após, outro participante utilizou termos pejorativos para se referir a um colega, resultando em sua exclusão do espaço virtual.
Diante da reincidência, a administração do grupo optou por restringir o envio de mensagens apenas para a equipe responsável. Contudo, a discussão migrou para o grupo “Geral”, vinculado à Atlética Monopólio. Relatos indicam que, neste novo ambiente, o conteúdo das mensagens, áudios e figurinhas tornou-se ainda mais agressivo, com ataques racistas e misóginos que não foram coibidos pelos administradores locais.
Conteúdo das denúncias e posicionamento estudantil
O boletim de ocorrência detalha mensagens que questionavam a legitimidade de direitos de estudantes negros, além do compartilhamento de imagens de cunho abertamente racista. Um dos prints anexados à denúncia mostra um estudante afirmando a intenção de continuar enviando conteúdos ofensivos caso o grupo original fosse reaberto.
O Centro Acadêmico de Ciências Econômicas emitiu um comunicado firme, declarando que os episódios não devem ser confundidos com debates políticos ou opiniões divergentes. A entidade afirmou que não se calará diante do racismo e da misoginia, defendendo a investigação rigorosa e a responsabilização dos autores dos ataques, conforme normas institucionais e leis vigentes.