O mercado físico do boi gordo apresenta um cenário de sustentação nos preços, impulsionado pela restrita oferta de animais prontos para o abate. A dificuldade das indústrias em alongar suas escalas, que atualmente variam entre cinco e sete dias úteis na média nacional, tem forçado a realização de negócios acima das referências médias vigentes.
A dinâmica atual reflete um desequilíbrio entre a disponibilidade de gado no campo e a necessidade de suprimento das plantas frigoríficas. Segundo analistas da Safras & Mercado, a evolução dessas escalas, aliada ao desempenho das exportações, permanece como o principal termômetro para definir a tendência dos preços no curto prazo.
Dinâmica da arroba do boi gordo nos estados
A pressão sobre os preços é observada de forma distinta nas principais praças pecuárias do país. Em São Paulo, a referência média atingiu R$ 348,42 na modalidade a prazo, refletindo a disputa acirrada pela matéria-prima. No Mato Grosso do Sul, o valor indicado foi de R$ 334,09, enquanto em Goiás a arroba foi cotada a R$ 328,75.
O cenário em Minas Gerais aponta para uma média de R$ 325,29 por arroba. Já no Mato Grosso, estado com grande relevância na produção nacional, o valor registrado foi de R$ 324,32. Essas variações regionais confirmam a tendência de firmeza no mercado físico diante da baixa disponibilidade de lotes.
Desafios no mercado atacadista e consumo
Enquanto o gado vivo valoriza, o mercado atacadista de carne bovina mantém uma postura de maior estabilidade. A indústria enfrenta dificuldades para repassar os custos da arroba ao consumidor final, que apresenta um poder de compra limitado. Essa resistência do varejo impede reajustes mais expressivos nos preços dos cortes bovinos.
Além disso, a concorrência com outras proteínas animais, especialmente a carne de frango, ganha força no orçamento das famílias. No atacado, o quarto traseiro permanece cotado a R$ 26,50 por quilo, enquanto o quarto dianteiro segue negociado a R$ 20,00 e a ponta de agulha a R$ 19,00 por quilo.
Influência cambial na pecuária
O comportamento da moeda norte-americana também integra o radar dos pecuaristas. O dólar comercial encerrou a sessão com leve alta de 0,17%, cotado a R$ 5,1215 para venda. A oscilação cambial, que variou entre a mínima de R$ 5,1095 e a máxima de R$ 5,1290, influencia diretamente a rentabilidade das exportações e a competitividade do produto brasileiro no mercado global.