O cenário eleitoral de 4 de outubro em Mato Grosso coloca o meio ambiente no centro das discussões políticas. Com o avanço da mineração e a persistência das queimadas, os candidatos ao governo estadual apresentaram planos que buscam equilibrar a preservação dos biomas locais com a demanda por desenvolvimento econômico e regularização fundiária.
Dados da Operação Amazônia Nativa (Opan) revelam a dimensão do desafio: entre 2018 e 2025, o número de processos minerários no estado saltou de 5.926 para 13.627, um aumento de quase 130%. Atualmente, 93% das terras indígenas mato-grossenses sofrem pressão direta da mineração, enquanto áreas como a Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda, enfrentam degradação severa por garimpo ilegal.
Estratégias para fiscalização e combate ao desmatamento
Os planos de governo focam na reestruturação da fiscalização ambiental. Entre as propostas, destaca-se a criação de forças-tarefas integradas que unem órgãos ambientais e forças de segurança pública para coibir o garimpo clandestino e o desmatamento ilegal. A ideia é descentralizar a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), conferindo maior autonomia operacional aos escritórios regionais em cidades como Alta Floresta, Sinop e Rondonópolis.
A tecnologia aparece como aliada central na gestão do território. Os candidatos propõem o uso de inteligência artificial para o cruzamento de imagens de satélite e dados de notas fiscais, permitindo uma fiscalização proativa. Além disso, a digitalização dos processos, incluindo a análise automatizada do Cadastro Ambiental Rural (CAR), visa reduzir a burocracia e acelerar a regularização de propriedades rurais.
Gestão de recursos hídricos e recuperação de áreas degradadas
A preservação das águas é tratada como prioridade, com a proposta de fortalecer os comitês de bacia hidrográfica, definidos como parlamentos das águas. O objetivo é implementar um monitoramento estadual contínuo da qualidade dos rios, com dados públicos sobre vazão e outorgas. O Fundo Estadual de Recursos Hídricos deve ser direcionado para a recuperação de matas ciliares e o controle de erosões, como as voçorocas.
Para a recuperação produtiva, os programas focam em tecnologias de baixa emissão de carbono, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). A assistência técnica será voltada tanto para pequenos produtores e assentamentos quanto para médias e grandes propriedades, condicionando incentivos a indicadores verificáveis, como a melhoria da infiltração de água no solo e a redução de riscos de incêndio.
Bioeconomia e o futuro da produção sustentável
A transição para uma economia verde é um eixo comum entre os postulantes ao cargo. As propostas incluem o incentivo à bioeconomia e o alinhamento do ensino profissionalizante às cadeias produtivas sustentáveis. A meta é projetar Mato Grosso como referência global em rastreabilidade e tecnologias verdes, utilizando a marca ‘Made in Mato Grosso’ para valorizar produtos com certificação socioambiental.
A gestão de resíduos sólidos também entra na pauta, com o fomento a consórcios intermunicipais para a criação de aterros e centrais de triagem. O apoio a cooperativas de catadores, com a formalização e remuneração pelo serviço ambiental prestado, completa a estratégia para a implementação gradual da coleta seletiva e da logística reversa em todo o estado. Mais informações sobre a legislação ambiental vigente podem ser consultadas no portal do Ministério do Meio Ambiente.