O impacto das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes tornou-se uma prioridade nas instituições de ensino brasileiras. Segundo a pesquisa TIC Educação 2025, realizada pelo Cetic.br, oito em cada dez escolas de ensino fundamental e médio já incluem o tema em suas agendas. O levantamento aponta um crescimento expressivo de 18 pontos percentuais em relação a 2024, consolidando uma mudança na postura das instituições frente ao ambiente virtual.
Crescimento do diálogo entre escola e famílias
A mobilização das escolas não se restringe apenas aos alunos, estendendo-se também ao corpo docente e às famílias. Em 2025, 75% dos gestores promoveram reuniões com pais e responsáveis para discutir o uso de tecnologias, um aumento significativo frente aos 60% registrados no ano anterior. O diálogo com professores também se intensificou, alcançando 86% das instituições.
Além da saúde mental, as pautas escolares passaram a incluir o uso crítico e responsável das ferramentas digitais e a inclusão da educação midiática no currículo. O debate sobre o uso seguro das tecnologias saltou de 56% para 75% em apenas um ano, refletindo a necessidade de preparar a comunidade escolar para os desafios da era digital.
Desafios estruturais e desigualdades no acesso
Apesar do avanço, a implementação de ações concretas enfrenta barreiras significativas. Embora 65% das escolas desenvolvam atividades voltadas aos estudantes, a execução é desigual, sendo mais frequente em áreas urbanas. A falta de materiais de apoio e a baixa participação das famílias são apontadas pelos gestores como os principais obstáculos para a efetividade dessas iniciativas.
Daniela Costa, coordenadora da pesquisa, ressalta que as desigualdades estruturais dificultam a equidade na educação digital. Para a especialista, a integração entre escola e família é essencial, mas exige que as instituições recebam suporte adequado e políticas públicas estruturadas para mediar o consumo digital de crianças e adolescentes.
Regulação e o uso de celulares em sala de aula
A gestão do uso de telefones celulares pessoais revela um cenário de cautela. Atualmente, 51% dos gestores proíbem que os alunos levem os aparelhos para o ambiente escolar, com maior rigor nas turmas dos anos iniciais. Nas instituições que permitem o acesso, o uso pedagógico é frequente, especialmente em regiões com maiores barreiras de conectividade, como o Norte e o Nordeste do país.
Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, reforça que a regulação é um elemento crucial para a proteção dos jovens. Ela defende que o aprimoramento de políticas públicas, alinhado ao ECA Digital, é fundamental para que educadores e famílias consigam compreender a complexidade de sistemas como algoritmos e inteligência artificial.
A chegada da inteligência artificial nas escolas
Pela primeira vez, o estudo mapeou a adoção de inteligência artificial (IA) generativa na gestão escolar. Cerca de 53% dos gestores já utilizam essas ferramentas para tarefas administrativas e pedagógicas, como a criação de comunicados e a revisão de textos. Contudo, a formalização desse uso ainda é incipiente, com apenas 22% das escolas possuindo guias de orientação.
A permissão para que estudantes utilizem IA em tarefas educacionais já é uma realidade em 37% das instituições. O índice é ainda maior na rede estadual, atingindo 47% das unidades, o que demonstra uma rápida integração tecnológica que demanda, agora, diretrizes claras para garantir a segurança e o aprendizado crítico dos alunos.