O mercado financeiro apresentou movimentos de acomodação após a forte reação da véspera à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dólar fechou em queda próxima de 1% e ficou abaixo de R$ 5,35, enquanto a bolsa recuou cerca de 0,5% na sessão.
A jornada foi marcada por uma correção cambial após a disparada anterior e pela continuidade das perdas no principal índice acionário. O cenário refletiu as incertezas dos investidores em relação à condução da política econômica do próximo mandato, incluindo a ausência de definição sobre o comando da pasta da Fazenda.
Movimentação do câmbio e ajuste das cotações
O dólar à vista encerrou o pregão em baixa de 1,07%, cotado a R$ 5,349, após registrar alta expressiva na segunda-feira. A divisa estadunidense recuou ao longo de toda a sessão, alcançando a mínima de R$ 5,316 durante o período da manhã.
O recuo representou um ajuste natural de posições após a forte valorização provocada pela reação inicial do mercado ao resultado das urnas. No acumulado do ano, a moeda norte-americana registra desvalorização.
Na véspera, a cotação havia avançado em meio à revisão de apostas que consideravam a vitória do senador Flávio Bolsonaro. Além disso, pesaram na avaliação os temores do mercado quanto à sustentabilidade fiscal no novo governo.
Atuação governamental e pronunciamentos oficiais
Durante a sessão, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou publicamente o compromisso da gestão em buscar o cumprimento da meta fiscal por meio do diálogo institucional com o Congresso Nacional. A declaração buscou sinalizar estabilidade aos agentes econômicos.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também se manifestou sobre o cenário ao indicar que a autoridade monetária poderá intervir no mercado de câmbio. A atuação ocorreria caso fossem identificadas disfuncionalidades relevantes na formação dos preços da moeda.
No âmbito externo, o índice internacional DXY apresentou trajetória de alta perante uma cesta global de moedas, operando em sentido oposto ao movimento verificado no mercado doméstico brasileiro.
Desempenho do Ibovespa e ativos de referência
O Ibovespa fechou em baixa de 0,51%, aos 175.710,05 pontos, prolongando o viés negativo após a forte queda de quase 14% registrada no pregão anterior. A retração persistiu mesmo diante da trégua observada no mercado de câmbio.
A sessão foi caracterizada pela continuidade dos ajustes nas carteiras institucionais e pela cautela generalizada dos investidores. O mercado aguarda novas diretrizes sobre a futura equipe econômica e os rumos das contas públicas.
Entre os fatores de pressão sobre o índice acionário esteve a desvalorização de 1,20% do petróleo tipo Brent, cotado a US$ 109,41 o barril. Com o novo recuo, os ativos mantiveram-se nos patamares mais baixos registrados desde o mês de agosto, conforme dados consolidados pela Agência Brasil.