Crise diplomática entre Brasil e EUA escala com revogação de visto de embaixadora

Crise diplomática entre Brasil e EUA escala com revogação de visto de embaixadora

A relação entre Brasília e Washington atingiu um novo patamar de instabilidade nesta terça-feira (4). O governo de Donald Trump anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma decisão classificada pela Casa Branca como um ato de tratamento recíproco. O movimento ocorre em meio a um impasse prolongado sobre a indicação de Daniel Perez para a embaixada americana no Brasil.

Segundo o Departamento de Estado, a medida é uma resposta direta à demora do Itamaraty em conceder o agrément — a aprovação formal necessária para que um embaixador assuma o posto — ao nome indicado por Trump. O cenário de atrito foi agravado por uma série de eventos que, desde julho de 2025, têm colocado os dois países em rota de colisão diplomática e comercial.

Escalada de tensões e o impasse sobre Daniel Perez

A indicação de Daniel Perez, presidente da Câmara da Flórida, foi anunciada pela Casa Branca em 1 de junho de 2026. O posto de embaixador dos EUA em Brasília estava vago desde janeiro de 2025. O pedido formal de agrément foi encaminhado apenas em 30 de junho, gerando desconforto no governo brasileiro, que criticou o anúncio público do nome antes da consulta diplomática protocolar.

A situação deteriorou-se rapidamente após o Itamaraty negar vistos a dois enviados americanos, Riley Barnes e Samuel Samson, em 25 de julho de 2026. O governo brasileiro interpretou a missão dos diplomatas como uma tentativa de interferência externa na integridade do sistema eleitoral do país, tese rebatida por Washington, que alegou tratar de temas como liberdade religiosa e de expressão.

Impactos comerciais e a política de tarifas

O desgaste nas relações bilaterais não se limita ao campo diplomático. Em 15 de julho de 2026, os Estados Unidos confirmaram a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana, foi justificada por Washington como uma resposta a práticas brasileiras que supostamente restringem o comércio, incluindo o funcionamento do PIX e regras para plataformas digitais.

Embora itens estratégicos como carne bovina, café e aeronaves tenham sido poupados da sobretaxa, que entrou em vigor em 22 de julho, diversos setores industriais foram afetados. O governo Lula rejeitou as justificativas americanas, classificando a decisão como um marco negativo e um desafio à soberania nacional, mantendo, contudo, a porta aberta para negociações.

Segurança pública e alinhamento político

Um dos pontos centrais de divergência envolve a classificação de organizações criminosas. Em 26 de maio de 2026, o senador Flávio Bolsonaro reuniu-se com Trump em Washington, solicitando que o PCC e o Comando Vermelho fossem designados como organizações terroristas. A medida foi acatada pelo Departamento de Estado apenas dois dias depois, em 28 de maio.

O governo brasileiro tentou, sem sucesso, evitar a classificação, argumentando que as facções devem ser tratadas sob a ótica da legislação criminal nacional. A decisão foi vista por analistas como um sinal de aproximação entre o bolsonarismo e a administração Trump, complicando ainda mais a gestão da política externa pelo Planalto. Mais informações podem ser consultadas no portal g1.

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