O montante de recursos esquecidos em instituições financeiras no Brasil voltou a crescer, alcançando a marca de R$ 5,79 bilhões em agosto de 2026. O dado, divulgado pelo Banco Central, reflete uma alta de 2,6% em comparação aos R$ 5,65 bilhões registrados no mês anterior, sinalizando uma retomada no volume de valores disponíveis para resgate por parte de cidadãos e empresas.
A maior parte desse montante, cerca de R$ 4,31 bilhões, está vinculada a 23,94 milhões de pessoas físicas. O restante, totalizando R$ 1,48 bilhão, pertence a 2,36 milhões de empresas. A distribuição dos recursos entre as instituições financeiras mostra que os bancos concentram R$ 2,46 bilhões, seguidos pelas administradoras de consórcios, com R$ 1,97 bilhão, e cooperativas de crédito, com R$ 805,6 milhões.
Distribuição e perfil dos valores a receber
A análise dos dados revela que a grande maioria dos beneficiários possui direito a quantias modestas. Aproximadamente 69,4% dos valores a receber não ultrapassam R$ 10. Apenas uma pequena parcela, equivalente a 2,21% dos titulares, tem acesso a valores superiores a R$ 1 mil. Esses recursos, muitas vezes, são provenientes de contas correntes ou poupanças encerradas com saldo, cobranças indevidas de tarifas ou sobras de grupos de consórcios.
Procedimentos para consulta e resgate
A única forma oficial de verificar a existência de saldo é por meio do Sistema Valores a Receber. Para realizar a consulta, pessoas físicas devem informar o CPF e a data de nascimento. O processo exige que o usuário possua uma conta Gov.br de nível prata ou ouro para solicitar a transferência, que pode ser feita via Pix em até 12 dias úteis.
Em casos de valores pertencentes a pessoas falecidas, o acesso é restrito a herdeiros, inventariantes ou representantes legais. O Banco Central reforça que o serviço é totalmente gratuito e alerta contra tentativas de fraude, enfatizando que não solicita dados pessoais, não envia links por mensagens e não exige pagamentos antecipados para liberar qualquer quantia.
Impactos do programa Desenrola 2.0
O volume de recursos esquecidos sofreu alterações significativas após o governo federal utilizar parte desses montantes para financiar o programa de renegociação de dívidas, conhecido como Desenrola 2.0. Em maio, cerca de R$ 5,7 bilhões foram transferidos para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), com o objetivo de oferecer garantias a instituições financeiras em operações de crédito.
A medida, contudo, tornou-se alvo de apuração pelo Tribunal de Contas da União. O órgão investiga a movimentação de recursos fora do Orçamento da União, questionando se a prática contorna limites fiscais. O governo mantém 10% do saldo transferido reservado para atender a eventuais solicitações de resgate dos titulares originais, garantindo que o direito ao saque seja preservado.