Reeleito governador de Mato Grosso com 60,77% dos votos válidos, Otaviano Pivetta (Republicanos) inicia um novo ciclo administrativo diante de demandas estruturais críticas. Com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral e indicadores de pesquisas recentes, o gestor enfrenta um cenário complexo que abrange desde a eficiência do sistema público de saúde até o combate ao crime organizado e a conclusão de obras de infraestrutura paralisadas.
Pivetta, que assumiu o comando do Executivo estadual após a renúncia de Mauro Mendes, traz em sua bagagem política a experiência como vice-governador por dois mandatos, além de passagens pela prefeitura de Lucas do Rio Verde e pela Assembleia Legislativa. O desafio agora é consolidar a gestão em um estado que, apesar do peso econômico do agronegócio, apresenta gargalos significativos na prestação de serviços básicos e na segurança pública.
Saúde pública e a descentralização do atendimento
A saúde permanece como um dos pontos de maior pressão para o governo. Atualmente, a concentração de leitos e serviços de alta complexidade na macrorregião Centro-Norte cria uma barreira geográfica para a população do interior. A necessidade de deslocamento para consultas, exames e cirurgias especializadas em oncologia, cardiologia e neurocirurgia sobrecarrega os hospitais de referência e evidencia a desigualdade no acesso ao SUS.
O desafio para os próximos quatro anos envolve não apenas a conclusão dos hospitais em construção em municípios como Juína, Confresa e Tangará da Serra, mas também a otimização da regulação de vagas. A meta é reduzir o tempo de espera e garantir que a assistência especializada chegue de forma mais equânime às diversas regiões do estado, diminuindo a dependência dos grandes centros urbanos.
Segurança pública e o combate ao feminicídio
O estado enfrenta indicadores preocupantes no que diz respeito à violência contra a mulher. Com a terceira maior taxa de feminicídios do Brasil em 2025, Mato Grosso exige uma resposta institucional mais robusta. A presença de vítimas com medidas protetivas ativas no momento do crime aponta para a necessidade de um monitoramento mais rigoroso e uma rede de proteção que ultrapasse as fronteiras da Grande Cuiabá.
Além da violência doméstica, o avanço das facções criminosas representa uma ameaça à ordem pública e à economia local. A atuação desses grupos, que se estende do tráfico de drogas ao garimpo ilegal em terras indígenas, exige uma estratégia de inteligência integrada. A expansão de tecnologias como o Botão do Pânico para cidades do interior é uma das demandas pendentes que o governo precisará priorizar para conter a escalada da criminalidade.
Infraestrutura e o gargalo logístico
A mobilidade urbana na Grande Cuiabá tem no BRT um de seus maiores desafios. Com a obra ainda em fase de implantação e sem data definida para o início da operação, a pressão popular por resultados é crescente. O governo trabalha com a previsão de concluir o corredor entre o Aeroporto Marechal Rondon e o Comando Geral da Polícia Militar até o final de 2026, mas o cronograma de funcionamento permanece uma incógnita.
No interior, a malha rodoviária exige atenção imediata. A Pesquisa CNT de Rodovias identificou dezenas de pontos críticos, com buracos e pontes danificadas que comprometem o escoamento da produção agrícola e elevam os custos de transporte. A substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto e a finalização de obras como o Complexo do Rio Juruena são vitais para a logística estadual e para a segurança dos usuários das estradas mato-grossenses.