Dengue recua em Ribeirão Preto mas Franca mantém incidência cinco vezes superior

Dengue recua em Ribeirão Preto mas Franca mantém incidência cinco vezes superior

O cenário da dengue em 2026 apresenta um contraste marcante entre duas das principais cidades do interior paulista. Enquanto Ribeirão Preto registrou uma queda expressiva de 98% nas confirmações da doença, Franca ainda enfrenta um quadro epidemiológico mais crítico. Segundo dados das Secretarias Municipais de Saúde, a incidência da enfermidade em Franca é cinco vezes maior do que a observada em sua vizinha, mesmo com a redução nos números absolutos em ambos os municípios.

Entre janeiro e julho de 2026, Ribeirão Preto contabilizou 363 casos, um salto positivo frente aos 21.400 registros do mesmo período em 2025. Em Franca, a trajetória também foi de queda, com 927 confirmações frente às 5.173 do ano anterior. Contudo, ao analisar a proporção por habitantes, Ribeirão Preto apresenta 49,6 casos a cada 100 mil pessoas, enquanto Franca atinge a marca de 253,6, evidenciando que o risco de contágio permanece significativamente mais elevado na segunda localidade.

Infestação crescente do Aedes aegypti e o risco latente

Apesar da redução nos diagnósticos clínicos, o monitoramento do vetor da doença revela um alerta importante. Em Ribeirão Preto, os índices de infestação do Aedes aegypti apresentaram elevação. O Índice de Breteau, que mede a presença de larvas em recipientes a cada 100 imóveis, subiu de 1,1 em julho de 2025 para 2,23 no mesmo mês de 2026. O Índice Predial também acompanhou essa tendência de alta, atingindo 1,70.

Especialistas apontam que a queda nos casos não deve ser interpretada como eliminação do perigo. A presença persistente de larvas indica que o mosquito continua circulando ativamente. Luzia Márcia Romanholi Passos, diretora da Vigilância Epidemiológica de Ribeirão Preto, reforça que a população não pode baixar a guarda, pois a eliminação de criadouros deve ser uma prática semanal e contínua para evitar novos surtos.

Imunidade coletiva como barreira temporária

A redução dos números em 2026 é atribuída, em grande parte, à chamada memória imunológica da população. Após as intensas epidemias de 2024 e 2025, muitas pessoas contraíram a doença e desenvolveram proteção contra os sorotipos 1 e 2, que foram predominantes no período. Essa barreira natural dificulta a propagação do vírus entre indivíduos que já foram infectados anteriormente.

O pediatra Homero Antônio Rosa Júnior, de Franca, corrobora essa visão, mas alerta para as diferenças históricas entre as cidades. Enquanto Ribeirão Preto lida com o vírus há décadas, Franca possui um histórico epidemiológico distinto, com um clima que historicamente limitava a proliferação do mosquito. A mudança no comportamento da doença em Franca, observada desde 2021, reflete um processo de adaptação do vírus a novas regiões.

Debates sobre estratégias de vacinação e controle

A eficácia da vacinação no cenário atual é alvo de discussões técnicas. O imunizante disponível no SUS foca na faixa de 10 a 14 anos, um público com menor incidência de casos graves. Para o médico Homero Antônio Rosa Júnior, a estratégia precisa ser revista para incluir faixas etárias acima de 30 anos, onde se concentra a maior parte das internações e óbitos. Ele defende que a vacinação em massa, atingindo 80% da população, seria a única via para conter o avanço do vírus a longo prazo.

Enquanto o debate avança, as prefeituras mantêm ações de campo. Em Ribeirão Preto, foram vistoriados mais de 313 mil imóveis no primeiro semestre, com a remoção de toneladas de materiais inservíveis. Franca segue diretrizes nacionais com mutirões e monitoramento de áreas críticas. Para mais informações sobre o combate ao mosquito, consulte o portal oficial da Ministério da Saúde.

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