Demarcação da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo é concluída após 27 anos

Demarcação da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo é concluída após 27 anos

A demarcação física da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, localizada no estado de Mato Grosso, foi oficialmente concluída após um processo que se estendeu por 27 anos. A finalização desta etapa, marcada pela instalação de placas e marcos delimitadores, representa um avanço significativo para a proteção de um território habitado por indígenas isolados, que dependem da preservação da floresta para sua sobrevivência.

Conclusão da demarcação física e próximos passos

O trabalho de campo, coordenado pelo indigenista Jair Candor, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), teve duração de 2 meses. A ação materializa em campo os limites administrativos do território, situado no município de Colniza, a 1.065 km de Cuiabá. Com a sinalização instalada, o processo segue agora para a etapa de homologação por decreto presidencial, passo indispensável para garantir a validade jurídica definitiva da área.

O povo isolado e a importância do território

Os Kawahiva são um povo caçador-coletor nômade que optou pelo isolamento voluntário após sofrer com massacres e epidemias ao longo de décadas. A integridade de seu território é vital, uma vez que o grupo mantém um modo de vida totalmente integrado ao ecossistema local. A conclusão da demarcação física é vista por especialistas como um passo crucial para assegurar que a presença do povo seja respeitada por terceiros.

Desafios de fiscalização e pressão externa

Apesar do progresso, organizações como a Survival International alertam que a segurança da região permanece sob constante ameaça. A área tem sido alvo histórico de grileiros, madeireiros e grupos interessados na exploração ilegal de recursos naturais. A proteção efetiva do território, segundo especialistas, depende da manutenção de uma fiscalização permanente e da presença constante de órgãos federais para coibir invasões.

Histórico de proteção e mobilização

O processo de reconhecimento da terra contou com o apoio de diversas entidades, incluindo a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o Centro de Trabalho Indigenista (CTI). Durante as quase três décadas de espera, a Base de Proteção Etnoambiental Madeirinha Juruena desempenhou um papel fundamental no monitoramento da área, mesmo enfrentando limitações de recursos para impedir ocupações irregulares.

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