Contas públicas fecham junho com rombo de R$ 55,3 bilhões e dívida chega a 81,9% do PIB

Contas públicas fecham junho com rombo de R$ 55,3 bilhões e dívida chega a 81,9% do PIB

O setor público consolidado, que engloba a União, estados, municípios e empresas estatais, registrou um déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho de 2026. Os dados foram oficializados pelo Banco Central por meio do relatório de Estatísticas Fiscais, evidenciando uma pressão crescente sobre as contas públicas em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando o saldo negativo foi de R$ 47,1 bilhões.

Crescimento do déficit e impacto dos juros nominais

O cenário fiscal reflete uma trajetória de aumento nos gastos, especialmente no que tange aos juros nominais. Em junho, essas despesas alcançaram R$ 110,7 bilhões, um salto expressivo frente aos R$ 61,0 bilhões observados em junho de 2025. O Banco Central apontou que a evolução desfavorável das operações de swap cambial foi um fator determinante para esse resultado, revertendo ganhos anteriores em perdas significativas no período.

No acumulado de 12 meses até junho de 2026, os juros nominais atingiram a marca de R$ 1,16 trilhão, representando 8,80% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse montante supera o registrado no mesmo intervalo do ano anterior, que era de R$ 912,3 bilhões. O resultado nominal consolidado, que soma o déficit primário aos juros apropriados, atingiu um déficit de R$ 166 bilhões apenas no mês de junho.

Composição do resultado fiscal por esfera governamental

A responsabilidade pelo resultado deficitário é compartilhada entre as diferentes esferas administrativas. O Governo Central liderou o saldo negativo com R$ 47,2 bilhões, seguido pelos governos regionais, com R$ 6,6 bilhões, e pelas empresas estatais, que apresentaram um déficit de R$ 1,5 bilhão. No acumulado de 12 meses, o déficit do setor público consolidado já alcança R$ 157,2 bilhões, o equivalente a 1,19% do PIB.

Evolução da dívida líquida e bruta

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) encerrou junho em 68,5% do PIB, totalizando R$ 9 trilhões. O aumento de 0,6 ponto percentual no mês foi impulsionado principalmente pela apropriação de juros nominais e pelo déficit primário. A desvalorização cambial de 2,4% no período atuou como um fator de ajuste, enquanto a variação do PIB nominal também influenciou o cálculo final da dívida.

Paralelamente, a Dívida Bruta do Governo Geral, que inclui o governo federal, INSS e entes regionais, atingiu 81,9% do PIB, somando R$ 10,8 trilhões. Este indicador apresentou um incremento de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior. Segundo a autoridade monetária, a trajetória de alta no ano reflete a incorporação de juros nominais e as emissões líquidas de dívida, parcialmente compensadas pelo crescimento do PIB nominal.

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