A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (15), a Operação Legado com o objetivo de desarticular um esquema de desvio de recursos públicos e irregularidades contratuais na Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento, localizada a 39 km de Cuiabá. A ação mira um grupo composto por cinco pessoas e uma empresa, suspeitos de envolvimento em práticas ilícitas que teriam movimentado cifras milionárias durante a gestão municipal anterior.
Investigação aponta movimentações financeiras atípicas
As autoridades identificaram uma movimentação superior a R$ 90 milhões nas contas bancárias dos investigados. Entre as irregularidades detectadas, destaca-se o uso de uma conta bancária pertencente a uma pessoa já falecida na época das transações, o que reforça os indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Esquema em contratos de combustíveis e infraestrutura
O foco principal da apuração recai sobre dois contratos específicos da administração pública. O primeiro envolve o fornecimento de combustíveis para a frota oficial, enquanto o segundo refere-se a serviços de reforma de pontes de madeira. A polícia aponta que os recursos eram desviados por meio de uma rede que conectava empresários e familiares, incluindo o uso de uma empresa como fachada para a circulação dos valores.
Medidas judiciais e bloqueio de bens
Para estancar a sangria dos cofres públicos, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 15,8 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas. Além disso, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e seis ordens de acesso a dados em dispositivos móveis. A empresa investigada está proibida de participar de novas licitações ou firmar contratos com o poder público municipal.
Desdobramento de apurações anteriores
A Operação Legado é um desdobramento da Operação Liberatio, realizada em 2024 pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Naquela ocasião, as investigações já haviam alcançado o então prefeito e membros do primeiro escalão da prefeitura. Os crimes apurados agora incluem organização criminosa, peculato e corrupção passiva, conforme detalhado em reportagem do g1 Mato Grosso.