O Tribunal do Júri estabeleceu a pena de 28 anos, um mês e 10 dias de reclusão em regime inicial fechado para o réu envolvido no assassinato do jovem Andrei Cordeiro de Moura, de 17 anos. O crime ocorreu na cidade de Sorriso, situada a 420 km de Cuiabá, e gerou grande repercussão pela dinâmica dramática em que a vítima, mesmo atingida por disparos de arma de fogo, conseguiu conduzir um veículo até as proximidades da residência de parentes para buscar ajuda médica.
A investigação conduzida pelas autoridades apontou que o ataque violento teve motivação ligada a disputas entre grupos criminosos na região. Conforme as informações apuradas, os envolvidos no homicídio alimentavam a suspeita infundada de que o adolescente mantinha ligações com uma facção rival, tese veementemente negada pela família da vítima durante todo o processo legal.
Dinâmica do crime e emboscada no milharal
Antes do desfecho fatal, a mãe da vítima tentou retirá-la da cidade por meio de uma viagem de ônibus devido a ameaças recebidas. Paralelamente, o pai decidiu acompanhar o filho para tentar esclarecer a situação diretamente com os suspeitos, dirigindo-se ao endereço onde o réu residia.
No local, um indivíduo entrou no automóvel e persuadiu pai e filho a se deslocarem para uma área isolada, próxima a uma plantação de milharal. Enquanto isso, o condenado seguiu o trajeto pilotando uma motocicleta, atuando ativamente na cobertura e no monitoramento da movimentação das vítimas.
Atuação do Tribunal do Júri e qualificadoras
Durante a sessão de julgamento, os jurados acolheram integralmente as teses apresentadas pela acusação, reconhecendo a presença de qualificadoras como motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas. A atuação do Ministério Público de Mato Grosso foi fundamental para sustentar as imputações perante o conselho de sentença.
O réu foi responsabilizado criminalmente não apenas pela morte do adolescente, mas também pela tentativa de homicídio qualificado direcionada ao pai da vítima e pelo envolvimento direto com organização criminosa armada. As provas técnicas coletadas durante a instrução processual foram decisivas para o veredito condenatório.
Provas técnicas e o suporte ao atirador
Imagens capturadas por câmeras de segurança na região registraram o momento do encontro e a rota percorrida pelos veículos até o local da execução. Os registros visuais comprovaram que o motociclista deu suporte logístico e auxiliou na fuga do atirador logo após os disparos.
A arma utilizada no crime foi localizada na residência do condenado no dia seguinte aos fatos. Exames balísticos compararam o projétil extraído do corpo do adolescente com o armamento apreendido, confirmando a compatibilidade. Além disso, análises de dispositivos eletrônicos revelaram mensagens e registros fotográficos que comprovaram o vínculo do réu com atividades ilícitas.