Mato Grosso enfrenta um momento decisivo para o escoamento de sua produção de milho. O estado precisa intensificar o ritmo de embarques nos próximos meses para atingir a projeção de 24,10 milhões de toneladas exportadas na temporada atual. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revelam uma queda de 21,44% no volume exportado entre julho e setembro de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O desafio logístico é acentuado pelo calendário agrícola. A janela principal para o escoamento estende-se até janeiro de 2027, momento em que a colheita da nova safra de soja começa a demandar prioridade no transporte e nos terminais portuários. Caso o estado consiga exportar 21 milhões de toneladas até o início do próximo ano, ainda restariam cerca de 3 milhões de toneladas para serem escoadas entre fevereiro e junho, superando a média histórica de 2 milhões de toneladas para este intervalo.
Concorrência internacional limita espaço do milho mato-grossense
A desaceleração nas exportações reflete a pressão exercida por outros grandes produtores globais. Nos Estados Unidos, a oferta elevada e estoques robustos pressionam as cotações internacionais. Simultaneamente, a Argentina consolidou uma safra recorde e reduziu retenções, ganhando maior fatia de mercado e acirrando a disputa pelos compradores tradicionais do produto brasileiro.
O impacto dessa concorrência é visível na retração das compras por destinos estratégicos. O Irã reduziu suas importações em 29,30%, enquanto a Espanha diminuiu a demanda em 29,94%. O Egito, outro importante parceiro comercial, também registrou uma queda de 3,85% nas aquisições. Segundo o analista do Imea, Gabriel Brandão, a ampla disponibilidade do cereal em outros países tem limitado diretamente a competitividade do milho produzido em Mato Grosso.
Menor escoamento pode elevar estoques no estado
A dificuldade em manter o fluxo de exportações traz riscos adicionais à cadeia produtiva local. Caso o excedente não seja absorvido pelo mercado externo, o volume de milho retido no estado tende a crescer, elevando os estoques ao final do ciclo. Esse cenário gera uma pressão imediata sobre a capacidade de armazenamento, que precisará acomodar tanto o milho remanescente quanto a nova safra de soja que se aproxima.
A retenção do produto no mercado interno pode influenciar negativamente a formação de preços para o produtor rural. Sem uma recuperação consistente nos embarques até janeiro, Mato Grosso corre o risco de encerrar a temporada abaixo das metas estabelecidas, com reflexos diretos na logística e na rentabilidade do setor agropecuário estadual.