A prevenção de doenças cardiovasculares deve ser uma prioridade desde a infância, conforme alerta a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Em alusão ao Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, especialistas reforçam que o monitoramento precoce é a estratégia mais eficaz para evitar complicações graves ao longo da vida, como infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC).
Triagem precoce e o controle do colesterol na infância
O vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da SBC, Renato Jorge Alves, defende a realização de exames de rotina para a dosagem de colesterol já aos 10 anos de idade. A recomendação, baseada em estudos científicos recentes, visa identificar precocemente alterações metabólicas, incluindo a hipercolesterolemia familiar, uma condição genética que pode elevar os níveis de gordura no sangue a patamares críticos ainda na infância.
Em casos de predisposição genética, o colesterol pode atingir níveis capazes de obstruir artérias coronárias precocemente. O diagnóstico antecipado permite intervenções médicas imediatas, aumentando significativamente a sobrevida dos pacientes e reduzindo o risco de eventos cardiovasculares fatais antes da vida adulta.
Riscos da desinformação e interrupção de tratamentos
O especialista alerta para o perigo da disseminação de informações falsas nas redes sociais, que desencorajam o uso de medicamentos prescritos. Segundo Alves, a interrupção do tratamento com estatinas — fármacos com eficácia comprovada há mais de três décadas — é uma falácia perigosa que coloca a vida dos pacientes em risco imediato.
O controle do colesterol segue a mesma lógica de doenças como hipertensão e diabetes: a suspensão da medicação sem orientação médica resulta na elevação imediata dos níveis lipídicos. Evidências robustas, consolidadas desde 1994, confirmam que o uso correto dessas medicações reduz drasticamente a mortalidade por doenças cardiovasculares.
Impacto da dieta e do estilo de vida no metabolismo
A adoção de hábitos saudáveis é o pilar fundamental para o controle do colesterol, embora o organismo produza cerca de 70% dessa substância naturalmente. A dieta carnívora, que exclui vegetais e prioriza gorduras saturadas, é desaconselhada por especialistas, pois contribui para o aumento do colesterol LDL, o chamado colesterol ruim, além de elevar os níveis de ácido úrico.
Para manter a saúde arterial, a recomendação é reduzir o consumo de embutidos, chocolates, frios e alimentos ultraprocessados ricos em gordura trans. Aliado a uma alimentação equilibrada, o exercício físico regular, com metas de 150 a 300 minutos semanais, e a manutenção da qualidade do sono são essenciais para combater o estado inflamatório crônico que favorece a aterosclerose.
Obesidade e fatores de risco cardiovasculares
A obesidade consolidou-se como o quinto principal fator de risco para doenças cardiovasculares, atuando em conjunto com o tabagismo, a hipertensão e o diabetes. O excesso de gordura abdominal gera um processo inflamatório que desestabiliza as placas de gordura nas artérias, elevando o perigo de obstruções agudas.
Além da obesidade, condições inflamatórias crônicas, como lúpus e artrite reumatoide, também exigem atenção redobrada. O acompanhamento médico contínuo, focado na análise individualizada do risco cardiovascular, permanece como a ferramenta mais segura para garantir longevidade e qualidade de vida, conforme detalhado em informações da Agência Brasil.