O município de Chapada dos Guimarães, localizado a 65 km de Cuiabá, celebra nesta sexta-feira (31) o marco de 275 anos de fundação. A cidade, hoje reconhecida nacionalmente por suas belezas naturais e pelo ecoturismo, carrega um legado histórico que remonta ao período colonial, atravessando ciclos econômicos, missões jesuíticas e uma reconfiguração territorial que alterou drasticamente suas dimensões ao longo dos séculos.
A trajetória do município está intrinsecamente ligada ao avanço das bandeiras pelo território mato-grossense no início do século XVIII. Após a descoberta de ouro no Rio Coxipó, em 1718, a ocupação da região se intensificou, consolidando-se com o estabelecimento da fazenda Buriti Monjolinho, em 1722, considerada a primeira unidade produtiva local.
A metamorfose de um território gigante
Um dos aspectos mais fascinantes da história de Chapada dos Guimarães é a sua extensão territorial pretérita. Em períodos anteriores, o município chegou a ocupar aproximadamente 270 mil km², sendo classificado como o maior do Brasil. Essa vasta área abrangia regiões que, décadas mais tarde, dariam origem a polos importantes do norte de Mato Grosso, como Sinop, Colíder e Alta Floresta.
A configuração atual do território começou a ser moldada a partir da década de 1970, com uma série de desmembramentos administrativos. Com o declínio da mineração de ouro, a economia local passou por um longo período de isolamento, preservando traços rurais e coloniais até que a infraestrutura rodoviária e a vocação turística reposicionassem a cidade no mapa estadual.
Patrimônio histórico e a herança jesuítica
A identidade cultural de Chapada dos Guimarães é preservada em seu patrimônio arquitetônico, com destaque para a Igreja de Santana do Santíssimo Sacramento. O templo, situado no centro da cidade, é um dos mais antigos de Mato Grosso e mantém elementos originais do período barroco, incluindo peças trazidas de Portugal.
A formação religiosa local foi impulsionada pela chegada dos jesuítas em 1750, que estabeleceram a Missão Jesuítica de Santana sob determinação da Coroa Portuguesa. Esse período não apenas definiu a organização social da época, mas também deixou marcas profundas na devoção a Sant’Ana, figura central na tradição católica local e símbolo de proteção familiar.
Geologia e biodiversidade como pilares do turismo
Se a história humana do município soma 275 anos, a formação geológica da região remonta a milhões de anos. Situada na borda do Planalto Central Brasileiro, Chapada dos Guimarães exibe escarpas e cânions de arenito que já foram leitos marinhos e desertos. A criação do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em 1989, foi o passo definitivo para consolidar a natureza como o principal motor econômico da cidade.
A região abriga uma biodiversidade singular, onde o Cerrado se encontra com características de florestas tropicais. Com mais de 400 espécies de aves registradas e uma fauna que inclui o lobo-guará e a onça-parda, o município atrai pesquisadores e turistas. Esse cenário, marcado por um clima ameno e pelo icônico nevoeiro matinal, reflete a resiliência de uma cidade que soube transitar entre o passado colonial e a modernidade sustentável.