O Brasil consolidou sua posição fora do Mapa da Fome, conforme atestado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). O relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI), divulgado nesta terça-feira (21) em Roma, confirmou que a prevalência de subnutrição no país permanece abaixo de 2,5%, mantendo o território nacional fora da zona crítica de insegurança alimentar.
Além da manutenção desse patamar, o documento aponta uma melhoria significativa no poder de compra da população para a aquisição de dietas nutritivas. Entre 2021 e 2025, o número de brasileiros sem condições financeiras de manter uma alimentação saudável caiu de 65,3 milhões para 44,8 milhões, um reflexo direto de políticas públicas integradas que priorizam a estabilidade econômica e o acesso aos alimentos.
Segurança alimentar e o papel da agricultura familiar
A estratégia brasileira, destacada pela FAO como modelo global, baseia-se na combinação de proteção social com o fortalecimento da agricultura familiar. O reconhecimento internacional reforça que a segurança alimentar não depende apenas da produção em larga escala, mas da capacidade de distribuição e do acesso real das famílias aos itens essenciais.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) tem desempenhado um papel central nesse cenário. Por meio de ações que incluem a ampliação do crédito rural, investimentos em bioinsumos e o fomento a sistemas agroflorestais, o governo busca garantir que a produção de alimentos seja sustentável e resiliente.
Protagonismo feminino e autonomia no campo
Um dos pilares fundamentais para o sucesso das políticas atuais é o incentivo ao protagonismo das mulheres rurais. A ministra Fernanda Machiaveli ressaltou que a autonomia econômica dessas produtoras é um vetor essencial para a diversificação da alimentação e a geração de renda nas comunidades locais.
A abordagem integrada, que une assistência técnica à inovação, permite que os agricultores familiares não apenas produzam mais, mas produzam com maior valor nutricional. Esse modelo tem sido apontado como a chave para a construção de sistemas agroalimentares mais equilibrados e menos dependentes de flutuações externas.
América Latina e compromissos globais
O cenário regional também apresenta indicadores positivos, com a América Latina e o Caribe registrando a menor taxa de fome entre as regiões em desenvolvimento, atingindo 4,8% em 2025. Esse resultado regional é impulsionado por esforços conjuntos de cooperação entre nações vizinhas.
Ao encerrar a apresentação do relatório, o governo brasileiro reafirmou seu compromisso com a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. A meta é continuar expandindo o acesso a dietas adequadas, equilibradas e diversificadas, garantindo que o bem-estar da população permaneça como prioridade nas agendas de desenvolvimento nacional.