O mercado físico do boi gordo apresentou nova valorização nesta quinta-feira (6), mantendo uma tendência de alta observada ao longo da semana. Segundo análise de Fernando Henrique Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, o movimento é sustentado principalmente pela posição das escalas de abate, que operam em um intervalo médio de cinco a seis dias úteis em todo o território nacional.
Dinâmica do boi gordo e impacto no consumo
O setor atacadista de carne bovina confirmou a tendência de alta, impulsionado por um cenário de consumo aquecido. A proximidade do Dia dos Pais, aliada à injeção de renda proveniente do pagamento de salários, gerou um aumento na demanda que se refletiu diretamente nos preços praticados no atacado.
Para a próxima semana, a expectativa dos especialistas é de uma reposição mais moderada entre o atacado e o varejo. Existe a possibilidade de arrefecimento desse impulso de consumo, embora o cenário de menor competitividade da carne bovina frente a proteínas alternativas, como o frango, continue a ser um fator de atenção para o setor.
Desempenho das exportações e cenário internacional
O ritmo dos embarques de carne bovina apresentou recuo em julho, registrando uma média diária de 9,9 mil toneladas. A China, principal parceira comercial do Brasil, importou 82 mil toneladas de carne bovina in natura no período, configurando o menor volume mensal registrado nos últimos tempos.
Apesar da retração no mercado chinês, o desempenho das exportações manteve-se satisfatório devido à força das vendas para outros destinos. Os Estados Unidos, em particular, apresentaram resultados positivos, compensando parte da oscilação observada no volume total exportado pelo país.
Cotações e movimentação cambial
Os preços da arroba do boi gordo seguem variando conforme a região. Em São Paulo, a cotação atingiu R$ 352,17 na modalidade a prazo. Em Goiás, o valor registrado foi de R$ 333,93, enquanto em Minas Gerais a arroba foi negociada a R$ 335,29. No Mato Grosso do Sul, o preço alcançou R$ 341,82 e, no Mato Grosso, a arroba ficou em R$ 332,42.
No atacado, as valorizações foram pontuais. O quarto dianteiro subiu para R$ 21,50 por quilo, enquanto o quarto traseiro atingiu R$ 27,00 por quilo, ambos com alta de R$ 0,50. A ponta de agulha manteve estabilidade em R$ 20,00 por quilo. Paralelamente, o dólar comercial fechou o dia em baixa de 0,48%, cotado a R$ 5,1051 para venda.