O mercado físico do boi gordo encerrou o mês de julho com uma tendência de alta nas cotações, impulsionada principalmente pela escassez de oferta disponível para o abate. Esse cenário de restrição dificultou a formação de escalas por parte das indústrias frigoríficas, que enfrentaram dificuldades para manter o ritmo operacional habitual diante da menor disponibilidade de animais prontos para o mercado.
Segundo o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, a dinâmica de preços foi pautada por esse desequilíbrio entre a procura industrial e a oferta no campo. Enquanto o mercado físico operou sob pressão de alta, o setor de exportações apresentou um ritmo mais lento, refletindo o esgotamento da cota chinesa destinada ao Brasil, o que já era esperado pelos agentes do setor.
Dinâmica de preços nas praças pecuárias
O desempenho da arroba variou conforme a região, mas manteve um viés majoritariamente positivo ao longo do mês de julho. Em São Paulo, a referência atingiu R$ 350, representando uma valorização de 4,48% em comparação aos R$ 335 registrados ao final de junho. Movimentos similares foram observados em Goiás e Minas Gerais, onde o preço da arroba fechou em R$ 325, com altas de 1,56% e 3,17%, respectivamente.
No Mato Grosso do Sul, a arroba foi cotada a R$ 335, um avanço de 4,69% frente ao mês anterior. Em Rondônia, o valor também alcançou R$ 325, com alta de 1,56%. Na contramão, o Mato Grosso registrou uma leve retração de 1,52%, com a arroba cotada a R$ 325, frente aos R$ 330 observados no fechamento de junho.
Perspectivas para o mercado em agosto
Para o mês de agosto, a expectativa dos analistas é de uma estabilização mais clara nas cotações. A tendência é que a oferta de animais provenientes de confinamentos aumente de forma gradual, o que deve proporcionar um maior equilíbrio entre a disponibilidade de boi gordo e a demanda das indústrias frigoríficas, reduzindo a pressão altista observada no mês anterior.
Comportamento do atacado e exportações
O mercado atacadista apresentou resultados mistos durante o período. O quarto do traseiro bovino teve valorização de 3,92%, sendo precificado a R$ 26,50 por quilo. Por outro lado, o quarto do dianteiro sofreu uma desvalorização de 4,76%, fechando o mês a R$ 20 por quilo, refletindo a seletividade dos consumidores finais.
No âmbito das exportações, os dados da Secretaria de Comércio Exterior apontam que o Brasil movimentou 195,214 mil toneladas de carne bovina em julho, gerando uma receita de US$ 1,243 bilhão. Embora a quantidade média diária tenha recuado 9,9% na comparação anual, o preço médio por tonelada apresentou um avanço expressivo de 14,8%, atingindo US$ 6.368,90.