Arroba do boi gordo registra alta impulsionada pela escassez de oferta

Arroba do boi gordo registra alta impulsionada pela escassez de oferta

O mercado físico do boi gordo apresenta um cenário de valorização da arroba nas principais regiões produtoras do Brasil. O movimento é sustentado pela dificuldade dos frigoríficos em adquirir lotes de animais para o abate, o que mantém as escalas de processamento encurtadas em grande parte do território nacional. A análise é do especialista Fernando Henrique Iglesias, da consultoria Safras & Mercado.

A dinâmica do setor é influenciada pela expectativa de aquecimento da demanda interna durante a primeira quinzena de agosto. O período é estrategicamente relevante devido à proximidade do Dia dos Pais, data que historicamente estimula o consumo de proteínas bovinas no varejo nacional.

Dinâmica de exportações e oferta de gado

Além do consumo doméstico, o fluxo de exportações permanece como um pilar fundamental para a precificação da arroba. O mercado monitora com atenção o comportamento dos embarques internacionais, especialmente diante do esgotamento precoce das cotas destinadas à China. A forma como esse volume será ajustado nas próximas semanas é considerada um fator decisivo para a tendência de preços no curto prazo.

Comportamento do mercado atacadista

O setor atacadista iniciou o período com preços firmes, refletindo a antecipação de compras motivada pela entrada de salários na economia. Esse movimento sazonal costuma impulsionar o consumo, sustentando a cotação das carnes no atacado. Contudo, a carne bovina enfrenta um desafio competitivo frente às proteínas concorrentes.

A análise aponta que a carne bovina tem perdido atratividade no comparativo de preços com o frango, o que pode limitar maiores altas no varejo. Atualmente, o quarto dianteiro é cotado a R$ 21,00 por quilo, enquanto a ponta de agulha mantém o valor de R$ 20,00 por quilo. O quarto traseiro, por sua vez, permanece precificado em R$ 26,50 por quilo.

Influência do câmbio no setor

O cenário macroeconômico também exerce pressão sobre a cadeia produtiva, com destaque para a volatilidade da moeda norte-americana. O dólar comercial encerrou a sessão com valorização de 0,90%, sendo cotado a R$ 5,1337 para venda. Durante o pregão, a moeda oscilou entre a mínima de R$ 5,0722 e a máxima de R$ 5,1482, impactando diretamente os custos e a competitividade das exportações brasileiras.

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