Uma nova modalidade de crime digital tem preocupado autoridades e usuários de telefonia móvel no Brasil. Criminosos utilizam antenas clandestinas, conhecidas como ERBs (Estações Rádio-Base) falsas, para interceptar sinais de operadoras legítimas e disparar milhares de mensagens fraudulentas. A prática, que explora vulnerabilidades técnicas em redes de gerações mais antigas, permite que golpistas alcancem vítimas em um raio de até 2 km, facilitando a aplicação de golpes financeiros via SMS.
O funcionamento das antenas falsas e a exploração do sinal 2G
A eficácia do golpe reside na exploração de uma falha de segurança inerente à rede 2G. Enquanto tecnologias modernas, como o 4G e o 5G, exigem uma autenticação mútua — onde tanto a rede quanto o dispositivo verificam a identidade um do outro —, o padrão 2G carece dessa proteção. Os criminosos utilizam equipamentos sofisticados, que podem custar mais de R$ 100 mil, para forçar o celular da vítima a migrar automaticamente para a rede 2G, tornando o aparelho vulnerável à interceptação.
Uma vez conectado à antena ilegal, o dispositivo do usuário passa a receber mensagens fraudulentas que simulam comunicações oficiais. Esses SMS frequentemente envolvem ofertas de crédito, confirmação de compras inexistentes ou promessas de ganhos financeiros, induzindo a vítima a clicar em links maliciosos ou a entrar em contato com centrais de atendimento falsas. A capacidade de disparo é massiva, chegando a 100 mil mensagens por dia por equipamento.
Ação da Anatel e o combate à infraestrutura clandestina
Desde 2025, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) intensificou a fiscalização e já apreendeu 11 antenas falsas, concentradas principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. A localização desses dispositivos é um desafio técnico, pois os criminosos costumam instalar os equipamentos em apartamentos de andares altos ou até mesmo em veículos em movimento, visando áreas de grande circulação de pessoas, como os bairros de Pinheiros e Moema.
A identificação ocorre por meio de analisadores de espectro, que detectam interferências anômalas no sinal das operadoras. Após o rastreamento, a Anatel atua em conjunto com a Polícia Civil para realizar a apreensão. A operação clandestina é considerada um crime grave, passível de detenção de dois a quatro anos, além de multas que podem chegar a R$ 10 mil, com agravantes caso a atividade cause danos diretos a terceiros.
Como se proteger contra interceptações de sinal
Especialistas recomendam medidas preventivas para mitigar o risco de ser alvo dessas redes ilegais. A principal orientação é restringir o uso de redes obsoletas diretamente nas configurações do aparelho. Em dispositivos Android, é possível desativar a opção “Permitir serviço 2G” no menu de redes móveis. Já para usuários de iPhone, a recomendação é ativar o “Modo de Isolamento”, que eleva o nível de segurança do sistema operacional.
Além das configurações técnicas, a cautela no uso diário é fundamental. Nunca clique em links recebidos por SMS de fontes desconhecidas ou suspeitas, e evite a instalação de aplicativos solicitados por mensagens de texto. Manter o sistema operacional do celular sempre atualizado também é uma estratégia essencial para garantir que as correções de segurança mais recentes estejam ativas, protegendo o dispositivo contra novas explorações de rede. Mais informações sobre a regulação do setor podem ser consultadas no site da Anatel.