O município de Sorriso, no Mato Grosso, historicamente reconhecido como a “capital do agronegócio”, deixou o topo do ranking dos maiores produtores agrícolas do país. A alteração na liderança, confirmada pelos dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) divulgados pelo IBGE, reflete tanto o desempenho das lavouras quanto uma reconfiguração geográfica significativa no estado mato-grossense.
A nova configuração do mapa estadual, marcada pela emancipação de Boa Esperança do Norte, impactou diretamente a base territorial de Sorriso. Com a perda de áreas que foram incorporadas ao novo município, Sorriso registrou uma redução de 9,3% em sua área plantada, afetando o volume de culturas estratégicas como soja, algodão e feijão.
Impactos da reconfiguração territorial na produção
A criação de Boa Esperança do Norte, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro de 2023 e oficializada em 1º de janeiro de 2025, foi o fator determinante para a mudança no topo da lista. O território do novo município foi formado a partir de áreas que anteriormente pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã.
Embora Sorriso tenha mantido um desempenho robusto, alcançando um valor de produção de R$ 8,16 bilhões em 2025, o montante foi superado por Sapezal e São Desidério. A fragmentação do território, que antes concentrava a produção sob a jurisdição de Sorriso, redistribuiu os indicadores econômicos do setor primário na região.
Ascensão de Sapezal e São Desidério
O município de Sapezal assumiu a liderança nacional com um valor de produção de R$ 8,59 bilhões, impulsionado por um crescimento de 46,6% em relação ao período anterior. O algodão herbáceo consolidou-se como o principal motor dessa economia, representando 60% do valor total gerado pela cidade.
Em paralelo, São Desidério, na Bahia, alcançou a segunda posição com R$ 8,22 bilhões, registrando um crescimento de 23,7%. Enquanto o Mato Grosso mantém cinco cidades entre as dez maiores produtoras do país, a disputa pela liderança reflete a dinâmica de expansão e especialização das culturas de soja, milho e algodão em diferentes polos agrícolas brasileiros.
Contexto econômico do setor agrícola nacional
O levantamento do IBGE aponta que o valor total da produção agrícola brasileira atingiu a marca de R$ 927,2 bilhões em 2025. Esse resultado representa uma variação positiva de 18,4% na comparação com 2024, evidenciando a força do agronegócio na economia nacional, mesmo diante de ajustes territoriais e variações de mercado.
A análise dos dados considera o valor da produção como a soma do volume físico multiplicado pelos preços correntes de venda. Dessa forma, a liderança de Sapezal e a nova posição de Sorriso ilustram como a combinação entre produtividade, valorização de commodities e divisões administrativas molda a nova realidade do campo no Brasil.