Agricultura familiar como pilar da economia gaúcha
O Dia Internacional da Agricultura Familiar, celebrado neste sábado (25), destaca a relevância estratégica dos pequenos produtores para a segurança alimentar e o desenvolvimento rural. No Rio Grande do Sul, o setor consolida-se como um motor econômico essencial, sendo responsável por uma parcela significativa da riqueza produzida no campo.
Dados da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS) revelam que a agricultura familiar movimenta cerca de R$ 111 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho. Embora o segmento ocupe apenas 25% das áreas agrícolas do estado, ele responde por 40% do PIB da agropecuária, evidenciando uma eficiência produtiva notável e uma função social indispensável para o equilíbrio regional.
Eficiência produtiva e diversificação nas cadeias
A força do setor reflete-se na sua presença diversificada em diversas cadeias produtivas do agronegócio. O levantamento da Fetag-RS aponta que, em culturas como o fumo, a agricultura familiar detém 95% da produção, seguida pela banana, com 92%, e pelo leite, com 83% de participação.
Em termos de geração de receita, a soja destaca-se como a principal fonte de renda, movimentando aproximadamente R$ 9 bilhões anuais. Logo atrás, a avicultura contribui com quase R$ 8 bilhões por ano, demonstrando que o modelo de produção familiar é capaz de integrar cadeias de alto valor agregado e escala comercial significativa.
Desafios para a sucessão rural e o futuro
Apesar do desempenho econômico robusto, o setor enfrenta um obstáculo crítico: a sucessão familiar. Atualmente, a maioria dos produtores gaúchos concentra-se na faixa etária entre 45 e 65 anos. A presença de jovens entre 15 e 29 anos no campo registrou uma queda acentuada, passando de 15% em 2012 para os atuais 10%, o que representa uma redução de 35% em pouco mais de uma década.
Para reverter esse cenário, o fortalecimento das agroindústrias familiares surge como uma estratégia central. Com 2.094 empreendimentos cadastrados no Programa Estadual da Agroindústria Familiar (Peaf), o estado busca agregar valor à matéria-prima, aumentar a rentabilidade das propriedades e criar condições atrativas para que as novas gerações permaneçam na atividade rural.
Contexto global e políticas públicas
A celebração da data ocorre sob o marco da Década da Agricultura Familiar, uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) que abrange o período de 2019 a 2028. O objetivo central é fomentar políticas públicas que garantam a sustentabilidade e o fortalecimento do segmento em escala global.
No cenário gaúcho, onde cerca de 365 mil estabelecimentos rurais possuem, em sua maioria, menos de 10 hectares, a estratégia de apoio institucional é vital. A manutenção do modo de vida rural e a viabilidade econômica das pequenas propriedades continuam sendo os eixos norteadores para o futuro do agronegócio no estado.