A segunda fase da Operação Armagedom, deflagrada nesta quarta-feira (6), resultou na prisão do empresário Kleber Nunes em São José dos Campos. A ação, coordenada pelo Ministério Público de São Paulo, pela Polícia Civil e pela Polícia Militar, visa desarticular uma organização criminosa suspeita de operar esquemas de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro no Vale do Paraíba. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 205,7 milhões em bens dos investigados.
Prisão preventiva e alegações de inocência
Apontado pelas autoridades como um dos líderes do esquema, Kleber Nunes já cumpria prisão domiciliar. No entanto, investigações do Gaeco indicaram que ele continuava a coordenar as atividades ilícitas diretamente de sua residência, o que motivou a decretação de uma nova prisão preventiva. Em entrevista à TV Vanguarda, o empresário negou as acusações, afirmou ser inocente e declarou que não descumpriu medidas cautelares anteriormente impostas.
O investigado alegou estar em tratamento de saúde, mencionando a retirada de um rim e um diagnóstico de câncer no reto. Ele negou veementemente qualquer envolvimento com ameaças a vítimas ou irregularidades financeiras. O g1 busca contato com a defesa do empresário para comentar os desdobramentos do caso.
Estrutura do esquema e continuidade das atividades
Segundo o promotor de Justiça Luiz Fernandes Cavani de Macedo, a nova fase da operação tornou-se necessária devido à resiliência do grupo criminoso, que manteve suas operações mesmo após as prisões realizadas na primeira etapa da ofensiva, em novembro de 2024. O promotor destacou que o objetivo atual é identificar e apreender patrimônio ocultado pela organização.
As investigações revelam um modus operandi baseado na concessão de empréstimos com juros abusivos. Quando as vítimas não conseguiam quitar as dívidas, eram alvo de extorsão e ameaças, sendo forçadas a transferir imóveis e veículos para terceiros ligados ao grupo. Há relatos de vítimas que foram obrigadas a deixar o país devido ao nível de intimidação exercido pelos criminosos.
Patrimônio bloqueado e próximos passos
O montante de R$ 205,7 milhões em bens sob medida judicial inclui uma vasta gama de ativos. Entre os itens identificados estão imóveis residenciais e comerciais, empresas, veículos de luxo e rendimentos mensais de aluguéis que superam R$ 48 mil. A Justiça também determinou o bloqueio de 37 cavalos da raça Mangalarga Marchador vinculados ao principal investigado.
A delegada Cintia Gil Veneziane Dias, do Neccold, reforçou que o material apreendido nos 24 mandados de busca e apreensão será submetido a uma análise minuciosa. O objetivo é aprofundar as investigações e localizar outros envolvidos no esquema, que já gerou condenações superiores a 100 anos de prisão para alguns de seus líderes em etapas anteriores do processo.