O Aeroporto Marechal Rondon, localizado em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, enfrenta um desafio estratégico para consolidar sua posição no cenário da aviação global. Embora o terminal possua autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar voos comerciais internacionais desde 2024 e tenha recebido cerca de R$ 280 milhões em investimentos da concessionária Centro-Oeste Airports (COA), a concretização de rotas regulares permanece pendente de fatores mercadológicos complexos.
A simples adequação da infraestrutura aeroportuária não garante a operação imediata de voos para o exterior. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec), a decisão das companhias aéreas é pautada por análises rigorosas de demanda, viabilidade operacional e sustentabilidade financeira, processos que frequentemente demandam longos períodos de negociação.
Desafios para a viabilidade das rotas
A atração de novas rotas internacionais depende de uma equação que envolve o potencial de passageiros e a ocupação das aeronaves. As companhias aéreas avaliam criteriosamente os custos operacionais e as perspectivas de retorno financeiro antes de incluir um novo destino em sua malha aérea. A infraestrutura física, embora fundamental, atua apenas como um habilitador dentro de um ecossistema de negócios altamente competitivo.
Recentemente, o governo estadual intensificou os esforços para atrair operadoras através da Lei nº 13.191/2025. Esta legislação estabelece subvenções econômicas para empresas que implantem ou ampliem rotas com origem ou destino em Mato Grosso, visando mitigar riscos financeiros iniciais e estimular a conectividade aérea internacional.
Projeções e negociações com companhias aéreas
O cenário para os próximos anos aponta para tentativas de expansão. O governo de Mato Grosso anunciou a expectativa de iniciar, em 2027, uma ligação direta entre Cuiabá e Buenos Aires, na Argentina, operada pela Gol. A companhia, contudo, mantém uma postura cautelosa, confirmando apenas a assinatura de uma carta de intenção e reforçando que detalhes sobre a operação, como cronogramas e aeronaves, dependem de avaliações contínuas de mercado.
Anteriormente, tratativas foram iniciadas com a Latam para uma possível rota ligando o estado ao Peru. A Sedec esclareceu que essa foi apenas uma das possibilidades exploradas durante o trabalho de prospecção. A busca por parceiros comerciais segue uma lógica de longo prazo, onde o suporte estatal atua como um incentivo para reduzir as barreiras de entrada no mercado mato-grossense.
Estrutura e histórico do terminal
Com sete décadas de história, o Aeroporto Marechal Rondon consolidou-se como o principal hub aéreo de Mato Grosso. O terminal possui capacidade para atender 5,7 milhões de passageiros anualmente e registra uma circulação diária estimada em 8.967 pessoas. Desde a concessão iniciada em outubro de 2019, o aeroporto integra o Bloco Centro-Oeste, sob administração da COA.
Apesar de operar oficialmente como aeroporto internacional desde 1996, com foco histórico na movimentação de cargas, a transição para o transporte regular de passageiros para o exterior ainda é o objetivo central. O sucesso dessa empreitada depende agora da combinação entre os incentivos fiscais previstos na legislação estadual e a resposta positiva das companhias aéreas às demandas regionais. Mais informações sobre o setor podem ser acompanhadas no portal g1 Mato Grosso.