Mato Grosso respondeu por 60,72% da produção brasileira de etanol de milho entre os meses de julho e setembro, alcançando 1,76 milhão de metros cúbicos. O volume expressivo coloca o estado na liderança isolada entre os polos industriais do país, consolidando um cenário de forte expansão do uso do cereal na fabricação de biocombustíveis.
Os dados oficiais foram divulgados recentemente pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em seu boletim semanal, utilizando como base as informações apuradas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Mato Grosso reúne a maior parcela da produção nacional
No Brasil, a fabricação do biocombustível a partir do cereal somou 2,90 milhões de metros cúbicos no terceiro trimestre, registrando uma alta de 23,71% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse avanço superou o ritmo da produção total de etanol no país, que chegou a 14,51 milhões de metros cúbicos com um crescimento de 0,80% na mesma base de comparação.
Além de Mato Grosso, outros estados se destacaram no setor durante o período analisado. Mato Grosso do Sul registrou 539,22 mil metros cúbicos, seguido por Goiás com 262,02 mil metros cúbicos e o Maranhão com 220,29 mil metros cúbicos.
Juntos, os quatro estados concentraram 95,92% de todo o volume produzido no país. Essa concentração demonstra a força dos polos regionais e evidencia a posição estratégica que o território mato-grossense ocupa no mercado energético nacional.
Estoques favorecem o abastecimento contínuo das usinas
Uma das principais vantagens operacionais que favorecem o uso do cereal na indústria é a capacidade de armazenamento. Ao contrário da cana-de-açúcar, que possui limitações estritas ligadas ao ciclo de colheita, o milho pode ser estocado de maneira eficiente e utilizado ao longo de todos os meses do ano.
Essa flexibilidade permite que as plantas industriais programem o abastecimento para além dos períodos de safra, assegurando a continuidade das operações. A disponibilidade da matéria-prima armazenada reduz consideravelmente a vulnerabilidade em relação à sazonalidade da agricultura.
Demanda interna fortalece a cadeia agrícola regional
Para a economia de Mato Grosso, onde a cultura do grão possui extrema relevância, a conversão da produção em biocombustível abre um novo e importante canal de consumo interno. Durante a safra recente, o estado colheu 58 milhões de toneladas do cereal, superando o volume registrado na soja.
O setor industrial passa a integrar de vez o grupo de principais mercados absorvedores da produção local. Com isso, a conexão entre a atividade agrícola e o setor de energia se estreita, impulsionando o desenvolvimento econômico e tecnológico dos municípios produtores.