Mato Grosso consolidou-se nas últimas duas décadas como o epicentro da cotonicultura brasileira, apresentando um crescimento expressivo de 267,3% na produção desde o início da série histórica do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Este avanço não é fruto apenas da expansão territorial, mas de um ganho contínuo de produtividade que posiciona o estado como protagonista no cenário global.
Os números refletem uma trajetória de sucesso: na safra 2007/08, o estado colhia 1,99 milhão de toneladas em 530 mil hectares. Já no ciclo 2024/25, a produção atingiu o recorde de 7,32 milhões de toneladas, ocupando 1,55 milhão de hectares. O rendimento por área também subiu de 251,27 para 330,25 arrobas por hectare, um incremento de 31,4% que estabelece novos marcos para o setor.
Algodão ganha escala e amplia aproveitamento industrial
A relevância da cultura transcende a produção da pluma destinada à indústria têxtil. O beneficiamento moderno permite que praticamente toda a planta seja aproveitada, agregando valor e diversificando as fontes de receita para o produtor rural. O caroço, por exemplo, é transformado em óleo para biocombustíveis e farelo para a nutrição de bovinos.
Além disso, o línter — fibras curtas aderidas ao caroço — encontra aplicações em setores variados, como a produção de papel-moeda, filtros e insumos farmacêuticos. Outros subprodutos, como fibras curtas, são direcionados à fabricação de mantas, feltros e materiais de isolamento, reduzindo desperdícios e otimizando a cadeia produtiva.
Cadeia brasileira amplia presença no mercado mundial
O Brasil ocupa hoje a posição de maior exportador e terceiro maior produtor mundial de algodão. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a produção nacional, concentrada no Cerrado, destaca-se pelo regime de sequeiro e pelo rigoroso controle de qualidade, que atende exigências internacionais de sustentabilidade.
A certificação é um pilar desse sucesso. Na safra 2024/25, 79% da produção nacional foi validada pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). Essa iniciativa, que avalia critérios socioambientais, reforça o compromisso do setor com práticas que vão além da produtividade, garantindo a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
Data coloca fibra natural no centro do debate global
Celebrado em 7 de outubro, o Dia Mundial do Algodão ganha contornos de debate estratégico sobre a origem dos materiais têxteis. O setor promove o movimento “Fim da Linha”, que alerta para os impactos ambientais dos microplásticos liberados por tecidos sintéticos, contrapondo-os à natureza renovável e biodegradável da fibra natural.
Para o futuro, as projeções do Imea indicam que Mato Grosso deve manter patamares elevados de produção, com estimativa de 6,65 milhões de toneladas para a safra 2026/27. O estado reafirma sua posição como referência técnica e econômica, equilibrando escala, tecnologia e sustentabilidade em um dos mercados mais dinâmicos do agronegócio mundial.