Comportamento do IGP-M e a trajetória de preços
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou uma deflação de 1,16% em julho deste ano. Este resultado marca o segundo mês consecutivo de recuo nos preços, consolidando uma tendência observada desde junho, quando o indicador apresentou uma queda de 0,50%.
Apesar do alívio pontual verificado no mês, o cenário macroeconômico ainda apresenta pressão inflacionária quando analisado em períodos mais extensos. No acumulado do ano, o índice registra uma alta de 2,08%. Já nos últimos 12 meses, a inflação medida pelo indicador alcançou 2,76%, uma desaceleração em relação aos 3,16% observados no fechamento de junho.
Impacto do setor atacadista no resultado mensal
O principal motor para a queda observada em julho foi o desempenho do setor atacadista. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) recuou 1,74% no período, exercendo uma influência determinante para o resultado negativo do índice geral. Este segmento reflete diretamente os custos nas cadeias de produção e distribuição antes de chegarem ao consumidor final.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também apresentou um comportamento de queda, embora de forma muito mais contida, com variação negativa de 0,01%. Este dado sugere que, embora a pressão no atacado tenha diminuído, o repasse ao consumidor final ainda mantém um equilíbrio delicado entre a oferta e a demanda.
Custo da construção civil mantém trajetória de alta
Em contrapartida ao recuo verificado nos outros subíndices, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) seguiu na contramão e registrou inflação de 0,62% em julho. O setor de construção civil continua enfrentando pressões de custos, o que mantém o INCC em terreno positivo, diferentemente do cenário deflacionário visto no atacado e no varejo.
A metodologia utilizada pela FGV para o cálculo do IGP-M de julho considerou a coleta de preços realizada entre os dias 21 de junho e 20 de julho deste ano. A composição desses três índices — IPA, IPC e INCC — é o que define o comportamento final do indicador, que serve como referência para diversos contratos, incluindo os de aluguel no Brasil.