As novas medidas tarifárias impostas pelo governo dos Estados Unidos geram um impacto direto sobre US$ 6,6 bilhões em produtos exportados pelo Brasil. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a sobretaxa acumulada de 37,5% incide sobre 16,5% do total das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
O cenário de restrições comerciais é resultado da combinação de duas investigações conduzidas por Washington. A medida engloba uma tarifa adicional de 25%, anunciada anteriormente pelo governo do presidente Donald Trump, somada a uma nova sobretaxa de 12,5% comunicada recentemente. Quando ambos os dispositivos incidem sobre o mesmo item, o custo de entrada do produto no mercado estadunidense atinge o patamar de 37,5%.
Impacto setorial e produtos atingidos
A lista de mercadorias afetadas pela nova política tarifária é ampla e diversificada. Entre os itens que enfrentam o aumento de custos estão máquinas e equipamentos, diversos tipos de madeira, gorduras, óleos, calçados, móveis e artigos de confecção. O governo brasileiro monitora de perto como essa eleição de produtos pode comprometer a competitividade da indústria nacional no exterior.
Por outro lado, setores estratégicos da pauta exportadora brasileira permanecem protegidos das novas sobretaxas baseadas na Seção 301. Produtos como café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, ferro fundido, celulose e diversos itens químicos continuam sujeitos apenas às tarifas ordinárias de importação, mantendo uma parcela significativa do fluxo comercial fora do alcance das retaliações.
Mecanismos de controle e legislação americana
A aplicação das tarifas baseia-se em dois pilares da legislação comercial dos Estados Unidos. A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite que Washington investigue práticas consideradas injustas ou discriminatórias. No caso brasileiro, essa investigação resultou na sobretaxa de 25%, enquanto uma apuração paralela sobre trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos impôs uma alíquota adicional de 12,5% a 41 economias, incluindo o Brasil.
Já a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962 foca na segurança nacional. Diferente da Seção 301, este dispositivo costuma atingir setores inteiros, como aço e alumínio, independentemente da origem específica do país. O Mdic esclareceu que os produtos já enquadrados nas restrições da Seção 232 não sofrem o acúmulo das novas sobretaxas impostas pela Seção 301, evitando uma dupla tributação ainda mais severa.
Desaceleração do comércio bilateral
O endurecimento das barreiras tarifárias ocorre em um momento de retração nas trocas comerciais entre as duas nações. Após atingir o pico de US$ 40,4 bilhões em 2024, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram para US$ 37,7 bilhões em 2025, mantendo trajetória descendente em 2026. No primeiro semestre deste ano, as vendas somaram US$ 17,4 bilhões, uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira também encolheu, passando de 12,1% para 9,4% na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. O governo brasileiro avalia que o ambiente de incerteza, marcado por mudanças frequentes nas condições de acesso ao mercado norte-americano, reforça os desafios para a manutenção do fluxo comercial estável entre os dois países.