A cafeicultura global caminha para um patamar sem precedentes na safra 2026/27. De acordo com projeções do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial deve atingir a marca de 189,7 milhões de sacas. O volume representa um incremento expressivo de 10,8 milhões de sacas em relação ao ciclo anterior, consolidando uma tendência de alta na oferta internacional.
Expansão da oferta e recordes produtivos
O crescimento robusto da produção é impulsionado por desempenhos históricos em polos estratégicos como Brasil, Etiópia, Uganda e Vietnã. No caso vietnamita, a expectativa é colher 32,5 milhões de sacas, um aumento de 800 mil unidades. O USDA aponta que os preços elevados praticados recentemente incentivaram os agricultores a investir pesadamente em fertilizantes e insumos, além de expandir a área cultivada.
Na Etiópia, o cenário também é de otimismo, com previsão de 12,1 milhões de sacas. O avanço é atribuído à adoção de variedades mais produtivas, que já dominam mais de 50% das plantações locais. Em contrapartida, a Indonésia enfrenta dificuldades climáticas, com chuvas excessivas em Sumatra e Java que devem reduzir a colheita de robusta em 1 milhão de sacas, totalizando 11,4 milhões.
Dinâmica das exportações e consumo global
Com a maior disponibilidade do produto, o fluxo comercial internacional tende a se intensificar. As exportações globais de café em grão estão estimadas em 131,4 milhões de sacas para o período, um salto de 11,9 milhões na comparação anual. Esse movimento atende a uma demanda crescente, com o consumo mundial projetado no nível recorde de 179,7 milhões de sacas, liderado principalmente pela União Europeia e pelos Estados Unidos.
A solidez do mercado reflete-se também na recomposição dos estoques. Pelo segundo ano consecutivo, os estoques finais devem apresentar alta, atingindo 26,3 milhões de sacas. Esse colchão de oferta é visto como um fator de estabilidade diante das incertezas climáticas que frequentemente afetam as regiões produtoras.
Recuperação na América Latina e Colômbia
A América Central e o México projetam um crescimento conjunto de quase 600 mil sacas, totalizando 17,7 milhões, com destaque para a recuperação produtiva em Honduras. Na Colômbia, a estimativa é de 13,4 milhões de sacas, um incremento de 900 mil unidades. O resultado é atribuído à umidade favorável do solo e ao manejo técnico aprimorado com defensivos e fertilizantes.
As exportações colombianas devem acompanhar esse ritmo de crescimento, subindo para 12,2 milhões de sacas. O destino principal do café colombiano permanece concentrado nos mercados norte-americano e europeu, consolidando a posição do país como um fornecedor essencial para o consumo global de alta qualidade.