O mercado brasileiro de soja apresentou um cenário de cotações firmes nesta quarta-feira (22). De acordo com Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, o desempenho positivo foi sustentado pela valorização expressiva na Bolsa de Chicago, somada a prêmios elevados, fatores que neutralizaram a pressão exercida pela desvalorização do dólar no período.
A dinâmica atual do setor é marcada por uma demanda aquecida, enquanto a oferta disponível permanece restrita. Esse desequilíbrio ocorre devido à postura dos produtores, que mantêm a retenção do grão, evitando vendas em larga escala e contribuindo para a manutenção dos preços em patamares elevados em diversas regiões do país.
Dinâmica dos preços de soja no Brasil
As oportunidades de comercialização nos portos brasileiros seguem atrativas, com indicações que variam entre R$ 148,00 e R$ 150,00 por saca no mercado spot. Em Passo Fundo (RS), a cotação subiu de R$ 139,00 para R$ 141,00, enquanto em Santa Rosa (RS) o valor avançou de R$ 140,00 para R$ 142,00. No Paraná, a praça de Cascavel registrou alta de R$ 134,00 para R$ 136,00, e Paranaguá atingiu R$ 147,00.
No Centro-Oeste, Rondonópolis (MT) viu os preços saltarem de R$ 126,00 para R$ 130,00. Em Dourados (MS), a cotação passou de R$ 127,50 para R$ 128,50, e em Rio Verde (GO), o grão subiu de R$ 129,00 para R$ 132,00. O porto de Rio Grande (RS) acompanhou a tendência, fechando o dia a R$ 147,00.
Influência externa e a soja em Chicago
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros encerraram o pregão em alta, impulsionados pela valorização do petróleo no mercado internacional. O aumento das tensões no Oriente Médio elevou o barril acima dos US$ 90, o que, dada a correlação com a produção de biodiesel, favoreceu o avanço das commodities agrícolas.
Além do setor energético, a expectativa de uma retomada na demanda chinesa e o clima adverso no Meio-Oeste dos Estados Unidos — caracterizado por temperaturas elevadas e escassez de chuvas — reforçaram o otimismo dos investidores. O mercado agora volta suas atenções para os relatórios de exportação norte-americanos, que serão divulgados nesta quinta-feira e podem gerar novas oscilações.
Desempenho dos contratos futuros de soja
Os contratos com entrega em agosto fecharam com alta de 13,50 centavos de dólar, a US$ 12,33 por bushel. Para a posição de novembro, o valor atingiu US$ 12,39 por bushel, uma valorização de 1,32%. Os subprodutos seguiram o mesmo movimento, com o farelo para agosto subindo para US$ 331,60 por tonelada e o óleo de soja avançando para 75,48 centavos de dólar por libra-peso.
No âmbito cambial, o dólar comercial encerrou a sessão com queda de 0,41%, cotado a R$ 5,0521 para venda. Apesar da oscilação da moeda, que variou entre a mínima de R$ 5,0501 e a máxima de R$ 5,0841, o mercado de soja demonstrou resiliência, mantendo a tendência de valorização interna.