O sistema cooperativista alcançou um patamar estratégico na economia agropecuária de Mato Grosso, consolidando-se como um pilar fundamental para a produtividade no campo. Dados recentes do Anuário do Cooperativismo Mato-Grossense revelam que a produção de milho vinculada a essas organizações já representa 43% de todo o volume colhido no estado, totalizando 25,12 milhões de toneladas na última safra.
A influência do modelo vai além dos grãos, estendendo-se a diversas cadeias produtivas essenciais. Atualmente, o cooperativismo responde por mais de 31% da produção de soja e supera 57% da colheita de algodão em solo mato-grossense. Esse avanço é acompanhado por uma expansão estrutural das instituições, que hoje somam 84 cooperativas agropecuárias em operação no estado.
Escala e eficiência no cooperativismo de milho
A força do cooperativismo reside na capacidade de reunir produtores para ganhar escala operacional. Ao centralizar a compra de insumos, a comercialização e a logística de armazenagem, os associados conseguem reduzir custos significativamente. Segundo o superintendente do Sistema OCB-MT, Frederico Azevedo, grupos chegam a agregar até 100 mil hectares, criando um volume de compra que altera o poder de negociação no mercado.
Além da economia financeira, o trabalho conjunto promove uma troca técnica intensa entre os produtores. Decisões sobre o manejo agronômico, escolha de sementes e adoção de novas tecnologias são debatidas coletivamente, o que eleva o padrão de qualidade da produção. Para Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), esse movimento é uma resposta natural aos desafios logísticos e às grandes distâncias geográficas do estado.
Impacto econômico e desenvolvimento regional
O peso do cooperativismo reflete-se diretamente na movimentação financeira estadual. Com mais de 10 mil cooperados e 3.661 empregos diretos, o setor registrou R$ 37 bilhões em ingressos no último ano. A estabilidade é um diferencial marcante, visto que 60% das cooperativas atuam no mercado há mais de três décadas, garantindo a manutenção da atividade econômica em diversas regiões.
Um estudo da FIP, apresentado junto ao anuário, dimensiona o efeito multiplicador desse modelo: para cada R$ 1 movimentado pelo cooperativismo, são gerados R$ 1,34 na economia local. Esse impacto, que totaliza mais de R$ 75 bilhões em valor bruto da produção, reforça o papel das cooperativas como motores de desenvolvimento social e infraestrutura, suprindo lacunas que, individualmente, seriam inviáveis para muitos produtores rurais.