Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada decapitada na noite de sexta-feira (25) na Cruz do Chilão, localizada no bairro Santa Helena, em Cuiabá. O caso, que gerou indignação entre os fiéis, foi registrado após uma pessoa notar o estado da escultura e divulgar a situação. Até o momento, a Polícia Civil informou que não há registros oficiais da ocorrência, e a autoria do ato de vandalismo permanece desconhecida.
Arquidiocese de Cuiabá condena ato de intolerância
Diante da repercussão do episódio, a Arquidiocese de Cuiabá emitiu uma nota oficial repudiando o dano causado ao símbolo religioso. A instituição destacou que a Cruz do Chilão é um marco fundamental da religiosidade popular local, integrando tradições católicas e elementos da cultura de povos de matriz africana. O local, situado entre as ruas Luiz Carlos Pinheiro e Tenente Eulálio Guerra, possui valor histórico e cultural para a capital mato-grossense.
Em seu comunicado, a Arquidiocese reforçou que a liberdade de consciência e o livre exercício de cultos religiosos são direitos protegidos pela Constituição Federal. A instituição enfatizou que atos de violência ou discriminação motivados por religião podem configurar crimes, exigindo uma investigação rigorosa para a identificação e punição dos responsáveis.
Histórico de ataques a símbolos religiosos no estado
O episódio em Cuiabá não é um caso isolado de desrespeito a símbolos de fé em Mato Grosso. Em março deste ano, um homem de 47 anos foi detido no município de Jauru, a 463 km da capital, após destruir uma imagem de Nossa Senhora Aparecida com um machado. Na ocasião, o suspeito alegou ter agido sob influência de espíritos, sendo liberado após a assinatura de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
A Padroeira do Brasil, título conferido a Nossa Senhora Aparecida pela Lei Federal nº 6.802, de 30 de junho de 1980, permanece como um dos maiores símbolos da fé católica no país. A Arquidiocese de Cuiabá, que atualmente atravessa um período de transição denominado Sede Vacante, reiterou a importância do diálogo e do respeito mútuo como pilares para a convivência social e a preservação da memória religiosa da região.