A produção de milho consolidou-se como o eixo central da diversificação dos negócios da família Vesz em Mato Grosso. Em Campo Verde, a estratégia de verticalização permite que parte dos grãos colhidos seja convertida em ração para o gado, que passa por ciclos de recria e engorda dentro da própria propriedade antes de chegar ao mercado consumidor final.
Esse modelo de negócio, que integra agricultura, pecuária e comércio, é o resultado de uma trajetória iniciada em 1984, quando a família se estabeleceu na região. A gestão atual reflete décadas de adaptação, com a estruturação bem-sucedida da sucessão familiar e a expansão das atividades produtivas para novos polos, como o município de Juara.
Trajetória de superação e expansão agrícola
Antes de se tornarem referência no agronegócio mato-grossense, Vitor Vesz e sua família operavam no Rio Grande do Sul. A decisão de migrar para o Centro-Oeste foi impulsionada pela instabilidade econômica gerada pela Guerra das Malvinas, em 1982, que comprometeu o poder de compra dos clientes locais e forçou a busca por novas fronteiras.
Ao chegar a Campo Verde, o grupo combinou a experiência rural com a necessidade de abastecer a nova fronteira agrícola. O supermercado da família, que inicialmente supria a carência de produtos básicos na região, cresceu em paralelo à abertura de novas áreas de cultivo, consolidando um ecossistema que une o varejo à produção de soja, milho e algodão.
Tecnologia e irrigação na Fazenda Brasil
A busca por segurança produtiva levou a família a investir pesado em infraestrutura na Fazenda Brasil. Atualmente, a propriedade utiliza 12 pivôs de irrigação que cobrem 1,5 mil hectares, com outorga aprovada para expandir o sistema em mais 500 hectares. Essa tecnologia é fundamental para viabilizar o cultivo em solos com maior arenosidade.
A irrigação permite que a família produza milho tanto para o consumo interno e alimentação animal quanto para a produção de sementes. A proximidade com a ferrovia também otimizou a logística, permitindo que a produção escoe com maior eficiência e competitividade para os mercados nacional e internacional.
O milho como motor da integração produtiva
A expansão das usinas de etanol de milho em Mato Grosso transformou o cenário para o setor, oferecendo novas alternativas de comercialização e acesso a coprodutos essenciais para a nutrição animal. Segundo Vitor Vesz, esse movimento foi determinante para alavancar a rentabilidade da cultura na propriedade.
Os resultados produtivos validam a estratégia: na última safrinha, a Fazenda Brasil registrou uma média de 135 sacas de milho por hectare. Em Juara, onde as condições climáticas foram favoráveis, o rendimento atingiu 155 sacas por hectare. O sistema, que começou em 1988 com apenas cinco vacas e um cavalo, hoje representa um modelo de sucesso na integração lavoura-pecuária.