Um projeto inovador desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisa em Epidemiologia e Geoprocessamento do Araguaia, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Barra do Garças, conquistou um importante reconhecimento nacional. A iniciativa, batizada de Smart-TB Mobile, utiliza inteligência artificial e análise de dados epidemiológicos para otimizar o enfrentamento da tuberculose no país, recebendo o Prêmio Prof. Afrânio Kritski de Excelência Científica em Tuberculose, concedido pela Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose (REDE-TB).
O reconhecimento foi formalizado durante o XIII Workshop Nacional da rede, realizado em agosto, em Brasília. A coordenação do trabalho é da professora Josilene Dália Alves, com o desenvolvimento tecnológico conduzido pelo professor André da Silva Abade, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), contando com uma rede colaborativa de estudantes e pesquisadores.
Inteligência artificial aplicada à saúde pública
A ferramenta opera em duas frentes distintas para auxiliar gestores e profissionais da ponta. A plataforma web centraliza gráficos, mapas e dados epidemiológicos, permitindo uma análise detalhada da distribuição da doença por municípios e regiões. Por meio de modelos de inteligência artificial, o sistema gera projeções sobre o comportamento da tuberculose, identificando áreas de maior risco, o que possibilita o direcionamento estratégico de recursos e ações de saúde.
Complementarmente, o aplicativo móvel foca no suporte direto às equipes que acompanham os pacientes. A tecnologia processa informações clínicas e sociais para estimar a probabilidade de três desfechos: cura, interrupção do tratamento ou óbito. O objetivo central é permitir que os profissionais identifiquem precocemente pacientes que necessitam de intervenção ou acompanhamento mais rigoroso, aumentando as chances de sucesso terapêutico.
Expansão nacional e base de dados
O projeto teve sua origem em uma iniciativa realizada em Mato Grosso entre 2020 e 2023. Devido aos resultados positivos alcançados no estado, o grupo obteve financiamento do CNPq para expandir a ferramenta para todo o território nacional. A base de dados que sustenta o sistema é robusta, composta por 755.730 notificações de tuberculose registradas no Brasil no período de 2015 a 2024.
Enquanto a versão web já se encontra disponível, o aplicativo móvel segue em fase de validação e aprimoramentos técnicos antes de ser disponibilizado para uso amplo no SUS. O desafio dos pesquisadores agora é integrar plenamente a tecnologia à rotina das unidades de saúde, visando reduzir os índices da doença no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 84.368 novos casos da enfermidade em 2025, com 6.376 óbitos contabilizados no ano de 2024.