A chegada do elefante Sandro ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Mato Grosso, marca um novo capítulo na vida do animal após anos de permanência em cativeiro. O elefante, que vivia anteriormente no Zoológico de Sorocaba, em São Paulo, desembarcou na última sexta-feira (18) para iniciar um processo de adaptação estruturado em um ambiente que busca simular as condições naturais da espécie.
Sinais de bem-estar e adaptação ao novo ambiente
O processo de transição é monitorado de perto pela equipe técnica do santuário. Segundo Raphael Bontempi, presidente do SEB, a mudança de comportamento é um dos indicadores mais claros de que o animal está se integrando ao novo lar. A exploração do terreno, o contato com a terra e o uso de recursos naturais, como árvores e vegetação variada, promovem alterações visíveis na aparência e na disposição do elefante logo nos primeiros dias.
A autonomia é um dos pilares desse manejo. Em vez de forçar interações, a equipe observa como o animal se distancia dos cuidadores para investigar áreas isoladas e realizar atividades voluntárias. Esse comportamento contrasta com o tédio e a apatia frequentemente observados em recintos urbanos restritos, onde o animal não possui estímulos sensoriais diversos.
Redução de estereotipias e recuperação da autonomia
Um dos focos principais do acompanhamento é a diminuição das chamadas estereotipias, que são movimentos repetitivos, como balançar a cabeça ou caminhar em círculos, desenvolvidos como resposta ao estresse do cativeiro. Com a oferta de um espaço amplo, o santuário busca reduzir esses comportamentos, permitindo que a personalidade do animal se manifeste de forma mais natural.
O presidente do SEB ressalta que o manejo focado no respeito ao tempo individual ajuda a desmistificar rótulos de agressividade. Muitas vezes, o que é interpretado como comportamento hostil é, na verdade, uma reação ao estresse de ambientes inadequados. Ao proporcionar mais liberdade, a instituição observa que traços dóceis, anteriormente encobertos, tendem a emergir conforme o animal ganha confiança.
Estrutura e convivência no santuário
Sandro é o primeiro macho a integrar o grupo do santuário, que já abriga seis fêmeas. Embora compartilhem a mesma propriedade, a política da instituição prevê a manutenção de espaços separados para evitar o contato direto, respeitando o comportamento natural da espécie e a diretriz de não reprodução. A comunicação entre eles ocorre por meio de vocalizações e percepção olfativa.
A trajetória de Sandro, que incluiu passagens por circos e o isolamento prolongado após a morte de sua companheira no zoológico, chega a um ponto de virada. A expectativa é que o contato com o ambiente de Chapada dos Guimarães ofereça ao elefante a qualidade de vida necessária para o desenvolvimento de comportamentos típicos de sua espécie. Mais informações sobre o trabalho da instituição podem ser acompanhadas pelo site oficial do Santuário de Elefantes Brasil.