O elefante Sandro, de 54 anos, protagonizou uma cena marcante logo após chegar ao seu novo lar nesta sexta-feira (18). O animal, que percorreu cerca de 1,6 mil quilômetros desde Sorocaba (SP), foi flagrado realizando um “banho de terra” minutos depois de ser liberado no recinto do Santuário de Elefantes Brasil, localizado em Chapada dos Guimarães (MT). O comportamento, natural da espécie, é fundamental para a proteção da pele e sinaliza o início da adaptação ao novo ambiente.
Jornada e chegada ao novo habitat
A transferência de Sandro foi uma operação complexa que teve início na quarta-feira (16). O paquiderme vivia no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros há décadas. Durante o trajeto, a equipe técnica realizou paradas estratégicas para monitoramento de saúde, alimentação e descanso. Em um dos trechos finais, próximo a Campo Verde (MT), foi necessária a troca da caixa de transporte para um caminhão menor, garantindo a conclusão do percurso até a unidade de conservação.
A saída do animal da caixa de transporte ocorreu de forma espontânea às 13h31, apenas seis minutos após a abertura da estrutura. Sem qualquer tipo de pressão externa, Sandro explorou o recinto, demonstrando curiosidade ao reconhecer o espaço que conta com vegetação, terra e áreas de sombra. O momento foi acompanhado de perto pelos especialistas responsáveis pelo manejo do animal.
Gestão de comportamento e convivência
Sandro assume um posto inédito no Santuário de Elefantes Brasil: ele é o primeiro macho a habitar a propriedade, que atualmente abriga seis fêmeas. Para respeitar o comportamento natural da espécie e manter a política de não reprodução da instituição, o animal permanecerá em um recinto separado. A estrutura foi projetada para permitir a comunicação sensorial, garantindo que os elefantes possam se ver, sentir o odor uns dos outros e interagir por meio de vocalizações sem contato físico direto.
A equipe do santuário já mapeou características específicas do temperamento de Sandro, incluindo uma sensibilidade particular a ruídos de aparelhos eletrônicos, como drones. Esse detalhe exige um monitoramento aéreo cauteloso para evitar estresse. A expectativa dos especialistas é que, com o tempo, o elefante desenvolva maior autonomia e explore os recursos naturais do novo habitat, como o lago e a vegetação nativa.
Contexto histórico e transição
Antes de sua chegada ao Mato Grosso, Sandro viveu grande parte de sua vida em cativeiro, passando por circos antes de ser acolhido pelo zoológico em Sorocaba. No local, ele conviveu por anos com a elefanta Haisa, mas vivia sozinho há cerca de seis anos, após a morte de sua companheira. A mudança para o santuário representa uma nova fase em sua trajetória, oferecendo um ambiente mais amplo e adaptado às necessidades biológicas de um animal de sua idade. Mais informações sobre o trabalho da instituição podem ser consultadas no site oficial do Santuário de Elefantes Brasil.