Um levantamento recente realizado pelo Observatório IA nas eleições, iniciativa da Data Privacy Brasil e do Aláfia Lab, revelou um cenário preocupante para a integridade do pleito de 2026. Entre 1º de janeiro e 16 de agosto, quase dois terços dos conteúdos políticos gerados por inteligência artificial nas redes sociais foram publicados sem a devida sinalização, descumprindo normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
A análise abrangeu 413 conteúdos, dos quais 250 foram categorizados como sátiras voltadas à ridicularização de figuras públicas, enquanto 163 foram classificados como desinformação. O observatório destaca que a falha na rotulagem desses materiais sintéticos aponta para uma lacuna crítica tanto na conduta dos responsáveis pelas publicações quanto na moderação exercida pelas plataformas digitais.
Desafios na fiscalização e uso de inteligência artificial
O monitoramento indica que a maior parcela de conteúdos irregulares ou não sinalizados provém de perfis anônimos. No entanto, entre os agentes políticos, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) aparece no topo da lista, com 13 publicações identificadas. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) segue com 10 registros, enquanto o ex-governador Romeu Zema (Novo), o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) também figuram no levantamento.
No recorte partidário, o PL lidera com 28 publicações irregulares, distanciando-se do PT, com quatro, e do PSDB, com duas. O relatório enfatiza que a ausência de transparência sobre o uso de tecnologia sintética prejudica o eleitor e desafia a capacidade das autoridades em conter a disseminação de materiais que podem induzir o público ao erro.
Impacto das deepfakes no debate público
A técnica de deepfake, que consiste na manipulação realista de voz ou imagem de pessoas, foi utilizada em 81% dos casos analisados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o principal alvo, sendo retratado de forma pejorativa em 112 publicações. Flávio Bolsonaro também foi alvo frequente, aparecendo em 57 manipulações.
Diante do cenário, o TSE reforçou a proibição do uso de deepfakes na propaganda eleitoral. A tecnologia, que permite a criação de conteúdos sintéticos altamente realistas, é monitorada de perto pela Justiça Eleitoral, que busca ferramentas para proteger candidatos e garantir que o debate político não seja distorcido por montagens que simulam manifestações de pessoas vivas, falecidas ou fictícias.