Centrais sindicais mobilizam pressão no Senado pela votação da PEC do fim da escala 6×1

Centrais sindicais mobilizam pressão no Senado pela votação da PEC do fim da escala 6x1

As principais centrais sindicais do Brasil iniciaram uma ofensiva estratégica para antecipar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que visa extinguir a escala de trabalho 6×1 e reduzir a jornada semanal para 40 horas. O movimento, que ganha força neste fim de semana, busca garantir que a matéria seja apreciada pelo Senado Federal antes do primeiro turno das eleições de 2026.

A mobilização surge como resposta direta ao anúncio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que sinalizou a intenção de pautar a votação apenas após o pleito eleitoral. Para as lideranças sindicais, o adiamento atende a interesses de setores patronais e visa evitar que parlamentares sejam confrontados com a pauta durante o período de busca por votos.

Estratégia de pressão nos estados e capitais

O Fórum das Centrais Sindicais definiu uma agenda de ações coordenadas para forçar a mudança de postura da presidência do Senado. A estratégia inclui a intensificação de panfletagens em centros comerciais, onde a escala 6×1 é predominante, além de uma forte campanha de mobilização nas redes sociais e a organização de novos protestos de rua.

Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), afirmou que a pressão será direcionada aos senadores em suas respectivas unidades da federação. Segundo ele, a intenção é que os parlamentares sejam questionados publicamente sobre seu posicionamento antes de pedirem votos à população, evitando o que o dirigente classificou como uma “traição” aos trabalhadores.

Divergências sobre o calendário legislativo

A expectativa inicial do movimento era de que a PEC seguisse para o plenário imediatamente após sua aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ocorrida em 2 de outubro. O adiamento anunciado por Davi Alcolumbre foi recebido com surpresa negativa pelas entidades, que veem na medida uma tentativa de desidratar o apoio popular conquistado pela proposta.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, ressaltou que mais de 70% da população brasileira apoia a alteração. Para o dirigente, deixar a votação para o pós-eleição pode significar o retorno à estaca zero, fragilizando uma demanda histórica que busca melhorar a saúde mental e a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.

Argumentos econômicos e o impasse com o setor patronal

Enquanto os sindicatos defendem que os custos da redução da jornada são absorvíveis pelas empresas, o setor patronal mantém resistência. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) solicitou formalmente o adiamento da votação, argumentando que mudanças nas relações de trabalho exigem maior análise técnica e diálogo, longe da pressão do calendário eleitoral.

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, defendeu que a discussão precisa de previsibilidade para avaliar impactos no Produto Interno Bruto (PIB) e na inflação. A divergência entre estudos econômicos sobre os efeitos da medida continua sendo o principal ponto de embate entre as centrais sindicais e as confederações empresariais, conforme reportado pela Agência Brasil.

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