Moradores de Manaus foram surpreendidos por um fenômeno sísmico incomum na última segunda-feira, após um forte terremoto atingir o oeste da Colômbia. Apesar da distância superior a 2 mil quilômetros em linha reta entre a capital amazonense e o epicentro, localizado em São José do Palmar, os efeitos do tremor foram sentidos com clareza em diversos pontos da cidade, especialmente em edifícios altos.
De acordo com informações da Defesa Civil, não houve registro de feridos ou danos estruturais graves decorrentes do evento. O fenômeno, embora tenha causado susto entre a população, é classificado por especialistas como uma consequência física natural da propagação de ondas sísmicas de grande magnitude.
Relatos de moradores sobre o tremor em Manaus
O impacto do abalo foi percebido principalmente por pessoas que estavam em andares elevados durante o início do expediente. A servidora pública Terezinha Santos, que trabalha no 10º andar do Tribunal de Justiça do Amazonas, descreveu a sensação de instabilidade enquanto estava em sua estação de trabalho.
Segundo o relato, o balanço suave, semelhante ao movimento de uma onda, perdurou por cerca de 30 segundos. Em outras regiões da capital, moradores registraram o movimento de objetos, como lustres, persianas e itens em varais, evidenciando a oscilação das estruturas prediais diante da passagem da energia sísmica.
A experiência em edifícios comerciais
A percepção do tremor não se limitou aos escritórios. A ourives Heloane Rêgo, que se encontrava em um prédio comercial no Centro de Manaus, vivenciou o fenômeno enquanto utilizava o elevador. Inicialmente, a moradora associou a instabilidade a uma falha mecânica do equipamento ou a uma sensação pessoal de tontura.
O episódio gerou apreensão momentânea, mas, assim como em outros pontos da cidade, a situação foi breve. A rápida dissipação da energia após a passagem das ondas sísmicas permitiu que as atividades cotidianas fossem retomadas sem maiores interrupções ou necessidade de evacuações emergenciais.
Explicação geofísica para a propagação das ondas
Para o geofísico Marcos Ferreira, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o fato de Manaus ter sentido os reflexos do terremoto colombiano é um evento tecnicamente explicável. A magnitude do sismo original liberou uma quantidade de energia tão elevada que a propagação das ondas a longas distâncias torna-se um fenômeno esperado dentro da física geológica.
O especialista reforça que não houve nenhuma anomalia no mecanismo de propagação. A estrutura geológica do solo e a altura das edificações em Manaus podem ter contribuído para que os ocupantes de prédios mais altos percebessem a oscilação com maior nitidez do que aqueles situados em casas térreas. Mais detalhes sobre o monitoramento sísmico podem ser acompanhados através do portal oficial do Serviço Geológico do Brasil.