O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, reafirmou a estratégia do governo federal de manter canais de negociação abertos com os Estados Unidos, mesmo diante das recentes barreiras comerciais impostas a produtos brasileiros. Em entrevista ao programa Mercado & Cia, do Canal Rural, Alckmin destacou que a prioridade é a correção de assimetrias tarifárias e a busca por novos mercados para mitigar impactos em setores industriais e agrícolas.
Além das tensões comerciais, o vice-presidente sublinhou a necessidade de modernizar instrumentos de proteção ao produtor. Segundo ele, o fortalecimento do seguro rural e a utilização estratégica do fundo garantidor são pilares fundamentais para assegurar o acesso ao crédito e garantir a estabilidade do agronegócio nacional diante de oscilações globais.
Estratégia para o comércio com os Estados Unidos
Alckmin classificou as medidas tarifárias norte-americanas como injustas, argumentando que o Brasil mantém uma balança comercial equilibrada e tarifas de importação significativamente menores. O governo pretende continuar o diálogo técnico para reverter restrições, especialmente aquelas que afetam produtos industrializados e o setor de açúcar.
O vice-presidente ressaltou que o Brasil não abandonará a mesa de negociações, focando em complementaridade econômica. Ele citou como exemplos de sucesso a resolução rápida de entraves para a exportação de etanol e o potencial de investimentos em setores como data centers e minerais estratégicos.
Apoio ao setor produtivo e crédito
Para mitigar os efeitos das barreiras comerciais, o governo federal implementou o programa Brasil Soberano, que disponibiliza R$ 18,5 bilhões em crédito. O auxílio não se limita às empresas exportadoras diretas, estendendo-se também aos fornecedores que compõem a cadeia produtiva afetada.
A estratégia de diversificação de mercados segue como prioridade para a Apex e o BNDES. O objetivo é reduzir a dependência de destinos específicos e aproveitar a alta competitividade da agricultura tropical brasileira, que hoje se posiciona como uma das maiores exportadoras de alimentos do mundo.
Desafios sanitários e mercados globais
O cenário de exportação de carnes enfrenta desafios regulatórios, notadamente com a União Europeia e suas novas exigências sobre o uso de antimicrobianos. Alckmin enfatizou que o governo mantém diálogo permanente para evitar prejuízos, destacando que o Brasil possui um dos padrões sanitários mais rigorosos do mundo, sendo livre de febre aftosa sem vacinação.
Quanto à China, o vice-presidente reconheceu a importância do país como principal parceiro comercial, embora a pauta de exportações ainda seja concentrada em commodities. O governo busca ampliar a presença brasileira em outros mercados, incluindo Canadá, Emirados Árabes, Índia e México, como forma de contornar o protecionismo global crescente.
Para mais informações sobre o cenário econômico, acesse a seção de economia do Canal Rural.