O 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) em São Paulo, colocou em evidência a necessidade urgente de uma estratégia nacional de longo prazo para o setor. Embora o Brasil seja reconhecido como uma potência global na produção de alimentos, lideranças políticas e empresariais alertam que o protagonismo atual não é sustentável sem um planejamento que supere gargalos históricos e prepare o país para as demandas das próximas décadas.
Durante o evento, a senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, provocou o setor ao questionar a ausência de um projeto de país que acompanhe a velocidade da inovação tecnológica. Enquanto nações como China e Arábia Saudita estruturam suas economias com metas de longo alcance, o Brasil ainda enfrenta entraves burocráticos e estruturais que limitam o potencial de crescimento do campo.
Necessidade de inteligência e eficiência tecnológica no campo
Para a senadora, o sucesso do agronegócio não pode mais ser medido exclusivamente pelo volume de produção. O próximo salto do setor exige a integração de inteligência, biotecnologia e eficiência, permitindo que o Brasil diversifique sua pauta de exportações e agregue valor aos produtos primários. A superação de problemas como a insegurança jurídica, a falta de regularização fundiária e as deficiências em infraestrutura é considerada urgente para que o país não perca competitividade na era da inteligência artificial.
Integração entre agronegócio e indústria nacional
O presidente da Abag, Ingo Plöger, reforçou que a fronteira entre o campo e a indústria tornou-se tênue. Segundo ele, a agricultura brasileira evoluiu para um modelo de gestão, escala e inovação que exige uma atuação conjunta com o setor industrial. Essa sinergia é vista como o caminho para fortalecer a diplomacia comercial brasileira e garantir previsibilidade, em vez de privilégios, para os produtores.
Plöger destacou que, diante de uma geopolítica global fragmentada e riscos climáticos crescentes, a visão estratégica deve prevalecer sobre a urgência dos fatos cotidianos. A proposta da associação é que a diplomacia do setor seja conduzida de forma unificada, consolidando o Brasil como um parceiro comercial indispensável e tecnologicamente avançado.
Políticas públicas e o papel do crédito agrícola
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reconheceu que o papel do governo vai além da disponibilização de recursos financeiros. Embora o Plano Safra 2026/27 tenha destinado R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, o ministro enfatizou que o crédito é apenas uma das ferramentas necessárias para o desenvolvimento.
O foco da gestão pública, segundo o ministro, deve ser a antecipação de riscos e a redução de obstáculos operacionais. A meta é criar um ambiente regulatório que permita ao produtor focar na eficiência e na inovação, garantindo que as políticas públicas respondam de maneira eficaz aos desafios concretos enfrentados no dia a dia da produção rural.