O mercado físico de boi gordo registrou um movimento de valorização expressiva nas principais praças pecuárias do Brasil ao longo da última semana. Em São Paulo, a cotação da arroba atingiu o patamar de R$ 355 na modalidade a prazo, refletindo um cenário de oferta restrita e demanda aquecida pelo setor frigorífico.
Dinâmica de compras e encurtamento das escalas de abate
A pressão altista sobre os preços é sustentada, primordialmente, pelo encurtamento das escalas de abate. Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, a necessidade imediata das indústrias em recompor seus estoques forçou um comportamento mais agressivo nas negociações de compra de gado.
Este cenário de baixa disponibilidade de animais prontos para o abate no curto prazo atua como o principal vetor de sustentação para os valores atuais. A tendência observada sugere que a escassez de oferta continuará ditando o ritmo das negociações nos próximos dias, mantendo o viés de alta no mercado físico.
Impacto da demanda interna e exportações
Além da dinâmica de oferta, o mercado doméstico projeta um aumento nos preços da carne bovina no atacado. A combinação da entrada de salários na economia com a sazonalidade positiva gerada pelo Dia dos Pais deve impulsionar o consumo interno, criando um ambiente favorável para o repasse de custos.
O setor também mantém um ritmo relevante de exportações, o que contribui para o equilíbrio da balança comercial pecuária. A demanda externa permanece como um pilar fundamental para a sustentação dos preços, mesmo diante das variações observadas no volume de embarques mensais.
Desempenho das exportações brasileiras em julho
Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que as exportações de carne bovina, abrangendo os tipos fresca, congelada ou refrigerada, totalizaram 227,938 mil toneladas em julho, considerando o período de 23 dias úteis. O faturamento alcançou US$ 1,447 bilhão, com uma média diária de US$ 62,936 milhões.
O preço médio por tonelada exportada situou-se em US$ 6.350,50. Ao comparar os resultados com o mesmo período de 2025, nota-se uma dinâmica distinta: houve uma retração de 5,8% no valor médio diário e de 17,7% na quantidade média diária, enquanto o preço médio por tonelada registrou uma valorização de 14,4%.