A chegada do período de estiagem impõe desafios severos à pecuária, exigindo dos produtores um planejamento rigoroso para mitigar a queda na qualidade das pastagens. Com a redução drástica do valor nutritivo e da digestibilidade do capim, a estratégia de suplementação torna-se o principal pilar para evitar prejuízos produtivos e garantir a saúde do gado.
O zootecnista e consultor em pecuária Luis Kodel, em participação no programa Giro do Boi, esclareceu as dúvidas do pecuarista Victor Machado, de Itumbiara, em Goiás. O foco central da análise foi determinar quais categorias — vacas, novilhas ou machos — demandam maior atenção nutricional durante os meses de escassez de chuvas.
Prioridades na alimentação e exigências metabólicas
A hierarquia de cuidados deve ser estabelecida com base na taxa de produção e no ritmo de desenvolvimento corporal de cada grupo. As vacas da raça Gir, especialmente quando em fase de lactação, ocupam o topo da lista de prioridades. Essas matrizes possuem uma exigência metabólica elevada, necessitando de aportes consistentes de energia, proteínas e minerais para sustentar a amamentação dos bezerros e preservar a condição corporal necessária para o próximo ciclo reprodutivo.
Em segundo lugar na escala de prioridades estão as novilhas Nelore. Caso estas fêmeas jovens estejam gestantes ou em pleno estágio de crescimento ósseo e muscular, o aporte nutricional deve ser intensificado para evitar o comprometimento do seu desenvolvimento. Por fim, os garrotes da raça Nelore ocupam a terceira posição, pois, por serem animais já estruturados e sem as demandas metabólicas da gestação ou lactação, apresentam uma necessidade relativa menor diante do pasto seco.
Estratégias de manejo para o período de estiagem
Identificar as categorias prioritárias é fundamental para otimizar a alocação dos melhores pastos e direcionar dietas mais densas. No entanto, o especialista ressalta que a priorização não deve resultar na negligência dos demais lotes. A estagnação no ganho de peso dos machos durante a seca pode elevar significativamente o custo final da arroba produzida e comprometer o tempo total de terminação.
Para proteger o rebanho contra o declínio nutricional, recomenda-se que todas as categorias recebam suplementação proteica adequada. A utilização de fontes de nitrogênio não proteico, como a ureia agrícola, é uma alternativa eficaz para estimular a microbiota ruminal, permitindo que o animal degrade a fibra seca do capim com maior eficiência e aproveitamento.
Manutenção dos índices zootécnicos no cocho
A implementação de uma rotina rigorosa no cocho é o diferencial para evitar o desperdício de insumos e garantir a estabilidade produtiva. O ajuste constante das formulações proteicas, conforme o desafio fisiológico de cada lote, permite que o pecuarista atravesse o período de seca sem perdas acentuadas. Essa gestão técnica preserva a saúde das matrizes e garante a continuidade do crescimento dos jovens reprodutores, assegurando a rentabilidade da propriedade ao longo do ano. Para mais detalhes sobre o manejo, acesse o portal Giro do Boi.