O mercado físico do boi gordo encerrou a última sexta-feira (7) com um ritmo de negociações contido e volume inexpressivo. A dinâmica atual reflete a dificuldade enfrentada por grande parte dos frigoríficos na composição de suas escalas de abate, um cenário que tem sido monitorado de perto por especialistas do setor pecuário.
Desafios na oferta e escalas de abate
Apesar de indústrias de maior porte terem adotado estratégias como férias coletivas para otimizar a operação de unidades próximas, o quadro geral permanece pautado pela limitação na oferta de animais prontos para o abate. Essa escassez pressiona a logística das plantas frigoríficas, que buscam equilibrar a produção diante da disponibilidade restrita no campo.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a interpretação dos movimentos de curtíssimo prazo exige atenção constante a duas variáveis fundamentais: a evolução das escalas de abate e o ritmo das exportações, cujos dados são divulgados semanalmente.
Cenário de preços e arroba no mercado físico
Os valores da arroba mantêm patamares específicos conforme a região produtora. Em São Paulo, a cotação a prazo atingiu R$ 352. Em Mato Grosso do Sul, o valor registrado foi de R$ 342,84, enquanto em Minas Gerais a arroba ficou em R$ 336,76. Já em Goiás e Mato Grosso, os preços médios foram de R$ 335,82 e R$ 332,57, respectivamente.
Dinâmica do atacado e competitividade da proteína
No setor atacadista, a carne bovina apresenta preços firmes, embora a expectativa seja de uma desaceleração na reposição a partir da próxima semana. O movimento é justificado pela perda do efeito da entrada dos salários na economia e pela concentração da demanda sazonal do Dia dos Pais na primeira semana do mês.
Além disso, a carne bovina enfrenta um desafio de competitividade frente às proteínas concorrentes. Segundo Iglesias, a comparação com a carne de frango tem sido um fator relevante para o consumidor final. Atualmente, o quarto dianteiro é precificado a R$ 21,50 por quilo, a ponta de agulha a R$ 20 por quilo e o quarto traseiro a R$ 27 por quilo.