O setor sucroenergético brasileiro registrou uma retração significativa na moagem de cana-de-açúcar durante o mês de junho da safra 2026/27. De acordo com o levantamento oficial divulgado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), as usinas do Centro-Sul processaram 69,791 milhões de toneladas, um volume inferior aos 81,622 milhões de toneladas observados no mesmo período do ciclo anterior.
Dinâmica produtiva e qualidade da matéria-prima
Apesar da queda no volume total de moagem, que atingiu 14,50%, houve uma melhora qualitativa na matéria-prima colhida. O índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) alcançou a marca de 141,68 quilos por tonelada de cana, representando um incremento de 2,91% em relação a junho de 2025. Ao todo, 255 unidades produtoras estavam em operação na região ao final do mês, sendo 235 usinas de cana, 11 plantas dedicadas ao etanol de milho e nove unidades flex.
Mudança na estratégia de produção das usinas
O cenário de mercado refletiu uma alteração clara na estratégia das unidades processadoras, que priorizaram a fabricação de biocombustível em detrimento do adoçante. A produção de açúcar sofreu uma redução de 26,33%, totalizando 3,903 milhões de toneladas. Em contrapartida, a destinação da cana para o etanol subiu para 58,57%, superando os 50,51% registrados na safra anterior, conforme dados reportados pelo Estadão Conteúdo.
Crescimento do etanol e participação do milho
A produção total de etanol no Centro-Sul somou 3,796 bilhões de litros em junho, um crescimento de 2,47% na comparação anual. O etanol anidro apresentou um desempenho positivo com alta de 8,06%, atingindo 1,536 bilhão de litros, enquanto o hidratado recuou 1,00%, somando 2,260 bilhões de litros. O etanol de milho consolidou sua relevância no mix, com uma produção de 796,13 milhões de litros, o que representa uma expansão de 8,40% frente ao mesmo período do ano passado.